Diplomatas brasileiros atuam para tentar abrir negociação com Casa Branca sobre tarifaço de Trump
Nos bastidores, o governo brasileiro atua para tentar abrir uma negociação com os Estados Unidos após o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros impostos pelo presidente Donald Trump. Mas o Brasil admite que a crise entre os dois países deve escalar. Segundo interlocutores envolvidos no assunto, é preciso acostumar com a ideia de que a tensão com os EUA vai demorar a passar.
Essa sensação se deve, principalmente, aos últimos movimentos de Washington e às diversas postagens do Departamento de Estado americano em redes sociais, com críticas ao Judiciário brasileiro e, mais recentemente, a funcionários do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os contatos que têm ocorrido são com pessoas que não têm influência direta sobre Trump.Além disso, o presidente dos EUA indicou que não quer conversa com Brasília. Para negociar um acordo que aumente a lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa de 50% que passou a vigorar neste mês, como carnes, café, calçados e pescados, Donald Trump exige que o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) seja arquivado.
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Bolsonaro está em prisão domiciliar e é acusado de tentativa de golpe de Estado. Deve ser julgado no próximo mês. Parte dos ministros do STF estão proibidos de entrar nos EUA. Já Alexandre de Moraes, além de ter seu visto suspenso, é alvo de sanções econômicas do governo americano, como o bloqueio de bens e de operações bancárias com empresas americanas.
Até o momento, o Brasil tem enfrentado o tarifaço com uma ação na Organização Mundial do Comércio (OMC) — organismo que está debilitado e deve levar anos para tomar uma decisão — e o lançamento de medidas para socorrer os setores mais prejudicados.
São exemplos linhas de crédito mais baratas, prorrogação do recolhimento de tributos e compras governamentais de produtos que deixarão de ser vendidos no mercado americano.Outras frentes de ação são a busca de novos mercados para as exportações do Brasil; pressão de empresas americanas que precisam de produtos brasileiros para fabricar bens industrializados sobre a Casa Branca; e conversas com parlamentares daquele país.
Outro caminho trilhado, que pode demorar até dois anos para ser resolvido, é munir o governo americano de o máximo de esclarecimentos às dúvidas levantadas sobre práticas comerciais do Brasil. Na próxima segunda-feira, será enviado um relatório com explicações e argumentos acerca de temas como combate à corrupção, desmatamento, patentes, tratamento dado às redes sociais de empresas americanas, o sistema de pagamento pelo Pix e o comércio na rua 25 de março, em São Paulo.
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Esse relatório a ser encaminhado a Washington é em resposta a uma investigação realizada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR). Se o órgão não for convencido, poderá adotar novas sanções contra o Brasil, como a elevação de tarifas.
Fonte: Extra