OC e Talanoa cobram critérios rígidos para evitar que recursos públicos da política climática financiem soluções de eficácia contestada na transição energética
Organizações ambientais demonstraram preocupação com a possibilidade de recursos do Fundo Clima serem direcionados para iniciativas relacionadas à exploração e ao uso de combustíveis fósseis no Brasil. A avaliação de entidades do setor é de que a medida pode comprometer metas ambientais e enfraquecer ações de combate às mudanças climáticas.
O debate ganhou força após propostas apresentadas ao governo federal sugerirem o financiamento de projetos voltados ao gás natural e outras atividades consideradas de transição energética. Para ambientalistas, embora o gás seja tratado por parte do setor econômico como alternativa menos poluente, ele ainda contribui para a emissão de gases de efeito estufa.
Criado para apoiar políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o Fundo Clima é abastecido com recursos públicos e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Historicamente, os investimentos do programa são destinados a projetos de energia limpa, preservação ambiental, mobilidade sustentável e redução de emissões de carbono.
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As organizações afirmam que o uso do fundo para financiar combustíveis fósseis poderia contrariar os compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais voltados à redução do aquecimento global. Segundo representantes do setor ambiental, o país deveria priorizar investimentos em fontes renováveis, como energia solar, eólica e projetos de bioeconomia.

Foto: Reprodução
Especialistas também alertam que o incentivo prolongado ao uso de combustíveis fósseis pode gerar impactos econômicos no futuro, principalmente diante da tendência global de transição para matrizes energéticas menos poluentes. Em diversos países, governos e investidores têm ampliado restrições a projetos ligados ao petróleo e gás.
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O governo federal ainda discute os critérios que serão adotados para a liberação dos recursos do Fundo Clima. Enquanto setores industriais defendem apoio a projetos considerados estratégicos para segurança energética, entidades ambientais pressionam para que os investimentos permaneçam alinhados exclusivamente à descarbonização da economia e à proteção ambiental.