*Por Antônio Zacarias - A recente iniciativa do senador Plínio Valério de viabilizar a entrega de equipamentos de intercomunicação para o motopatrulhamento da ROCAM acendeu um debate urgente sobre as verdadeiras prioridades da segurança pública no Amazonas. Ao destinar recursos para que os policiais que estão na rua possam se comunicar em tempo real, eliminando o uso perigoso de celulares particulares durante as missões, Plínio Valério focou em uma necessidade prática e imediata de quem arrisca a vida diariamente. No entanto, essa busca por soluções reais contrasta drasticamente com a agenda do governador-tampão, Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”: a transformação da Companhia de Operações Especiais (COE) em Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).
A mudança de nome foi celebrada pela gestão de Roberto Cidade como um marco, mas a verdade incômoda que as ruas gritam é outra: a COE ganha nome novo, mas os policiais continuam carregando os velhos problemas de sempre. Afinal, quem está cuidando de quem nos protege?
O maior gargalo da segurança pública amazonense não está na sigla estampada na viatura, mas sim na falta de valorização dos homens e mulheres que vestem a farda.
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Enquanto o “Cocô de Ouro” comemora a "grife" do BOPE, milhares de policiais militares e civis seguem enfrentando o abandono institucional. As promoções estão represadas há anos (ontem, eu falei sobre isso na ’A BRONCA DO ZACA'), travando carreiras e congelando salários.
O auxílio-alimentação está defasado e o auxílio-fardamento é inexistente, obrigando policiais em diversos batalhões a trabalharem com uniformes desgastados pelo tempo.
Exigir motivação máxima de quem enfrenta a criminalidade sem garantir o básico é uma afronta à dignidade profissional.
É exatamente nesse ponto que a emenda parlamentar de Plínio Valério se distancia da política de aparências do Cocô de Ouro. O recurso para os intercomunicadores da ROCAM reconhece o policial como trabalhador, fornecendo ferramentas para que ele exerça sua função com o mínimo de segurança tática. É um investimento na vida do operador de segurança.Por outro lado, a proposta de Roberto Cidade de rebatizar a COE de BOPE — sem um aumento substancial de contingente, modernização real de armamentos e inteligência integrada — reduz uma unidade de elite a uma peça de marketing institucional.
O cidadão que sai de casa com medo da violência não quer saber se o grupo tático se chama COE ou BOPE; ele quer policiamento preventivo, viaturas funcionando e policiais valorizados. Mudar o nome no papel é fácil e gera engajamento em redes sociais. Difícil — e necessário — é regularizar as promoções pendentes, reajustar benefícios e dar estrutura de trabalho.
A segurança pública eficiente não se construirá com maquiagem legislativa ou troca de letreiros. Ela começa pelo respeito e pela valorização de quem está na linha de frente. Enquanto a proposta de Roberto Cidade gasta energia com simbolismos burocráticos, o recurso de Plínio Valério entrega soluções palpáveis. O Amazonas segue esperando por gestores que entendam que proteger o policial é o primeiro passo para proteger a população.
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* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.
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