Surto, o mais mortal já registrado no país, já soma mais de 6 mil casos e se espalhou por seis províncias do norte e do leste
A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo ultrapassou a marca de 3 mil mortos, segundo os dados mais recentes divulgados pelas autoridades de saúde nesta quarta-feira (2). O surto já provocou 3.007 mortes e registrou 6.186 casos confirmados, com uma taxa de letalidade de 48,6%.
A doença começou a ser oficialmente registrada em maio, na província de Ituri, no nordeste do país, mas especialistas acreditam que a circulação do vírus possa ter começado meses antes. Desde então, a epidemia se espalhou por seis províncias e atingiu principalmente regiões marcadas por conflitos armados, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
O surto atual é considerado o mais grave já registrado na República Democrática do Congo, superando a epidemia ocorrida entre 2018 e 2020, que matou quase 2,3 mil pessoas. Em número de mortes, a crise congolesa já é a segunda maior epidemia de Ebola registrada no mundo, atrás apenas do surto que atingiu países da África Ocidental entre 2014 e 2016 e deixou mais de 11 mil mortos.
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A situação é agravada pelo fato de a epidemia ser causada pela cepa Bundibugyo, uma variante rara do vírus para a qual ainda não existem vacina ou tratamento aprovados. Autoridades começaram a vacinar profissionais de saúde com a vacina Ervebo, desenvolvida para a cepa Zaire, na tentativa de obter algum nível de proteção contra a variante que circula atualmente.
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A Organização Mundial da Saúde alerta que a resposta precisa ser ampliada para interromper as cadeias de transmissão. A identificação dos contatos dos pacientes continua sendo um dos principais desafios, enquanto a insegurança, a fragilidade da estrutura de saúde e a desconfiança em algumas comunidades dificultam o controle da doença. A velocidade de propagação aumenta o risco de o surto superar o pior episódio de Ebola já registrado.