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22/07/2021

Equipe responsável por cirurgia de mulher trans que morreu em fevereiro segue atuando em endereço sem alvará da vigilância

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Foto: Divulgação

Mulheres são vistas saindo da clínica gerenciada por Paulino

A equipe investigada pela cirurgia da jovem trans Lorena Muniz, que morreu em fevereiro após ter sido deixada sedada durante um incêndio em uma clínica de estética no Centro de São Paulo, continua atuando em outro endereço irregular na capital.

 

Integrantes da equipe são acusados de negligência em diversos processos judiciais, como o G1 revelou, e respondem a pelo menos um inquérito policial, além do que investiga a morte de Lorena.

 

O homem apontado como responsável pelo grupo é Paulino de Souza, que segue oferecendo serviços de cirurgia plástica. Ele se apresenta como doutor nas redes sociais, apesar de não ser médico.

 

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Casa na Avenida Nove de Julho, na região central de SP, foi usada pela equipe para cirurgias de silicone no último sábado;


Paciente confirmou que foi operada no sábado no local e outras duas foram vistas saindo enfaixadas;
Local tem registro de CNPJ com o nome da esposa de Paulino de Souza, mas não possui alvará para realização de nenhum tipo de procedimento médico;


Vigilância Sanitária investiga possível rede de cirurgias estéticas irregulares, com uso de CNPJs e endereços diferentes e participação de médicos e intermediadores;


Parte do grupo foi indiciada por homicídio na investigação da morte de Lorena Muniz.

 

Lorena Muniz em foto publicada nas redes sociais — Foto: Reprodução/Instagram

 

Após relatos de que ele continuava atuando em uma casa na Avenida Nove de Julho, na Zona Sul da capital, o G1 foi até o local no último sábado (17). Paulino e outras pessoas foram flagradas pela reportagem entrando e saindo da clínica, que não tem alvará (veja vídeo acima).

 

Uma paciente da equipe, que preferiu não se identificar, confirmou à reportagem que fez uma cirurgia para colocação de silicone no endereço no sábado. A mulher enviou imagens do interior da clínica e da sala de operação. Outras duas mulheres foram vistas saindo enfaixadas do local.

 

Segundo a Vigilância Sanitária, “não consta licença sanitária no endereço” da Avenida Nove de Julho, ou seja, o espaço não possui alvará para a realização de nenhum tipo de procedimento médico.

 

Uma equipe da vigilância esteve no local na terça-feira (20), após o G1 pedir posicionamento sobre o fato de a clínica estar fazendo cirurgias no sábado. Na terça, a fiscalização e encontrou o imóvel vazio e com sinais de abandono recente.

 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse que "a casa encontrava-se fechada e sem sinal de atividade no interior do imóvel, no momento da inspeção" e que vizinhos do local informaram que a casa não é habitada, mas que, "em alguns dias da semana, sacos de lixo preto são vistos no portão".

 

Fachada de casa na Avenida Nove de Julho, na Zona Sul de São Paulo, onde equipe é acusada de realizar cirurgias plásticas sem alvará da Vigilância Sanitária — Foto: Deslange Paiva/G1

 

O órgão informou que vai intensificar a fiscalização no local.

 

No local onde ocorreu a operação está registrada a empresa Instituto Dra. Maria Rosa Gimenes Estetica e Beleza. O nome é uma referência à Maria Rosa Gimenes, que foi esposa de Paulino de Souza. O registro do CNPJ está em situação "inapta"

 

A investigação da morte de Lorena Muniz ainda está em curso, e por isso o nome dos acusados ainda não foi divulgado oficialmente, mas a Polícia Civil já indiciou seis pessoas por envolvimento no caso. Quatro deles foram responsabilizados por homicídio doloso, quando se assume o risco de matar. Outros dois indiciados respondem por omissão de socorro, por não terem ajudado a vítima a escapar do fogo. Todos respondem pelos crimes em liberdade.

 

Nova fachada da clínica na Liberdade, região central de São Paulo, onde Lorena Muniz morreu durante cirurgia para colocar silicone — Foto: Arquivo pessoal

 

Fontes ligadas ao caso disseram que, entre os investigados, estão diretores da Clínica Saúde Aqui, que fica na Liberdade, onde ocorreu o incêndio, e também responsáveis pela Clínica Paulino Plástica Segura.

 

Em entrevista exclusiva ao G1, a vigilância sanitária da cidade de São Paulo afirmou que investiga se a clínica onde Lorena morreu faz parte de uma rede que realiza cirurgias plásticas de forma ilegal.

 

Nova fachada da clínica na Liberdade, região central de São Paulo, onde Lorena Muniz morreu durante cirurgia para colocar silicone — Foto: Arquivo pessoal

 

A investigação foi revelada pelo diretor da Divisão de Vigilância de Produtos e Serviços de Interesse da Saúde, Giuliano Mussi.

 

A reportagem não conseguiu contato com Paulino de Souza. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (20), ele compartilhou vídeos e fotos de mulheres defendendo sua atuação. "Só tenho a agradecer, não é justo acabar com uma clínica de mais de 40 anos por causa de uma coisa que aconteceu", disse uma das mulheres.

 

Nas redes sociais, Paulino de Souza se apresentava como dr. Paulino — Foto: Elcio Horiuchi/ Arte G1

Fotos: Divulgação 

 

Investigação da morte


A jovem Lorena Muniz, de 25 anos, foi abandonada sedada dentro de uma sala na Clínica Saúde Aqui durante um incêndio no local no dia 17 de fevereiro, segundo seu marido. Lorena morreu na madrugada do dia 22 de fevereiro no Hospital das Clínicas da USP, na Zona Oeste da capital.

 

Segundo relatório do HC, ela teve parada cardíaca por 17 minutos e sofreu queimaduras no nariz e na orelha por conta da fumaça.

 

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Natural de Recife, Lorena estava em São Paulo para fazer uma cirurgia de implante de silicone negociada com Paulino de Souza.

 

Fonte: G1

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