Com avanço antecipado da gripe no Brasil, retorno precoce de crianças ainda em recuperação contribui para espalhar infecções respiratórias entre alunos
A circulação de vírus respiratórios começou mais cedo e mais intensa em 2026. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que os casos de gripe quase dobraram no país antes mesmo da chegada do inverno, acendendo um alerta importante, principalmente entre crianças em idade escolar.
Em ambientes fechados, com pouca ventilação e contato próximo, como salas de aula, o cenário se torna ideal para a transmissão. Mas, há um fator silencioso que tem contribuído para esse aumento: o retorno precoce de crianças ainda em recuperação.
“É muito comum ouvir dos pais: ‘dei antitérmico, a febre passou e mandei para a escola’. Mas, isso não significa que a criança está realmente bem ou que deixou de transmitir o vírus”, explica Dra. Roberta Pilla Otorrinolaringologista, membro da ABORL-CCF.
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Segundo a especialista, o uso de medicamentos pode mascarar sintomas, especialmente a febre, criando uma falsa sensação de melhora. “A criança ainda pode estar doente, eliminando vírus e com o organismo em recuperação. Quando volta cedo demais para a escola, ela não só prolonga o próprio quadro como também facilita a transmissão para outras crianças”, alerta.
Entre os quadros mais comuns nesse cenário estão gripe, resfriado, bronquiolite, sinusite e até pneumonias, além de crises de asma desencadeadas por infecções virais.
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A Dra. Maura Neves Otorrinolaringologista pela USP, reforça que esse ciclo se repete com frequência. “Uma criança vai antes do tempo adequado, transmite para outras, que levam para casa, e isso mantém o vírus circulando por muito mais tempo do que deveria”, explica.