Marcos Rodríguez Pantoja passou parte da infância isolado nas montanhas da Espanha e teve sua história transformada em livro, filme e estudo antropológico.
Marcos Rodríguez Pantoja, conhecido na Espanha como o “menino lobo da Serra Morena”, morreu aos 80 anos no último sábado (15), em Ourense, na Espanha. Durante mais de 12 anos, ele viveu isolado nas montanhas, em contato com animais selvagens, principalmente lobos.
Nascido em Añora, na província de Córdoba, Marcos teve uma infância marcada pela pobreza. Aos cerca de seis anos, após a morte da mãe, foi entregue pelo pai a um pastor de cabras que vivia na Serra Morena. O homem passou a cuidar do menino e ensinou a ele técnicas para sobreviver na região.
Após a morte do pastor, Marcos ficou sozinho nas montanhas e precisou aprender a encontrar alimentos, se proteger e lidar com as condições do ambiente. Durante anos, desenvolveu uma relação próxima com animais e chegou a reproduzir sons semelhantes a uivos para se comunicar.
Veja também
.jpg)
Harry e Meghan avaliam retorno ao Reino Unido e mudança para Londres
Vini Jr. mostra Virginia Fonseca em momento íntimo na mansão em Madri
Em uma entrevista à televisão espanhola, Marcos contou que não conhecia dinheiro durante o período em que viveu na mata, mas afirmou que nunca chegou a passar fome.
A convivência com os lobos também marcou profundamente sua trajetória. Segundo seus relatos, ele os considerava parte de sua família e acreditava ter desenvolvido uma relação de proteção e confiança com os animais.
Marcos foi localizado pela Guarda Civil espanhola e levado de volta ao convívio social. A adaptação, porém, foi complicada. Ele precisou reaprender atividades básicas do cotidiano, incluindo falar, andar de maneira convencional e utilizar talheres para comer.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/K/u/iAVex6QbSYih4Bu9AZMA/foto-5-pedro-laguna.jpg)
As tecelãs tacana participaram de uma demonstração ao vivo de tecelagem
para promover seus produtos na loja Mistura, onde atualmente
comercializam suas peças, na Bolívia
Foto: Divulgação Conservação Internacional
Depois de retornar à sociedade, também enfrentou episódios de maus-tratos, abusos e golpes. As experiências fizeram com que desenvolvesse grande desconfiança em relação aos adultos.
Ao longo da vida, Marcos trabalhou como pastor, serviu ao Exército e atuou no setor hoteleiro. Durante um período, viveu em condições precárias em Fuengirola, na província de Málaga.
Em 2001, mudou-se para a aldeia de Rante, em Ourense, onde foi acolhido pelo ex-policial Manuel Barandela Losada. No local, encontrou estabilidade e passou a compartilhar sua história em escolas, acampamentos e atividades voltadas principalmente para crianças e educação ambiental.
?? O pasado 15 de agosto despedimos a Marcos Rodríguez Pantoja, o «neno lobo de Sierra Morena», un veciño máis de Rante desde 2001.
— San Cibrao das Viñas (@csancibrao) August 17, 2026
Faleceu durante as festas da parroquia, deixando atrás máis de dúas décadas de vida compartida.
Marcos, San Cibrao non te esquecerá. pic.twitter.com/Pdgym319o5
HISTÓRIA VIROU LIVRO E FILME
A experiência de Marcos despertou o interesse de pesquisadores. O antropólogo e escritor Gabriel Janer Manila acompanhou sua trajetória entre 1975 e 1976 e posteriormente desenvolveu uma tese de doutorado sobre o caso.
Sua história também foi contada no livro “He jugado con lobos” e no filme “Entrelobos”, dirigido por Gerardo Olivares e lançado em 2010. Marcos participou da produção cinematográfica e ajudou a reconstruir acontecimentos de sua infância.
Mesmo depois de voltar à sociedade, ele afirmava que os anos vividos na natureza estavam entre os períodos mais felizes de sua vida.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Marcos morreu durante as festas patronais da região de Rante. Amigos e moradores participaram das homenagens realizadas no domingo. A prefeitura de San Cibrao das Viñas lamentou a perda e destacou que a história do espanhol passou a fazer parte da memória da comunidade.