Evento discute segurança clínica, regulação e perigos do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento
O aumento expressivo no uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem acendido um alerta entre profissionais de saúde e autoridades sanitárias. Em meio a esse cenário, Manaus recebe uma imersão presencial voltada à segurança clínica e aos riscos sanitários associados a esses medicamentos, no dia 21 de março de 2026, das 8h30 às 12h30, no Executive Coworking, localizado no bairro Vieiralves.
A iniciativa será conduzida por Ellery Barreto, que também atua como fiscal da Vigilância Sanitária de Manaus. Segundo o especialista, a popularização desses fármacos originalmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade exige maior responsabilidade no uso e acesso à informação qualificada.
Os medicamentos pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, incluindo substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida. Estudos clínicos robustos, como os programas STEP e SURMOUNT, apontam resultados significativos na redução de peso e melhora de parâmetros metabólicos, o que contribuiu para a crescente procura, impulsionada também pelas redes sociais.
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Apesar da eficácia comprovada, o uso desses medicamentos deve ser feito exclusivamente com prescrição médica e acompanhamento clínico. “São tratamentos importantes, mas exigem avaliação individualizada, considerando contraindicações, efeitos adversos e o perfil de cada paciente”, explica Barreto.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou as indicações da tirzepatida, autorizando seu uso no tratamento da apneia obstrutiva do sono, o que aumentou ainda mais o interesse da comunidade médica e da população.
No entanto, o uso indiscriminado representa um risco relevante. Por serem medicamentos relativamente novos, o monitoramento de segurança a longo prazo ainda está em andamento. Entre os principais problemas estão a compra em mercados clandestinos, armazenamento inadequado e aplicação por pessoas não habilitadas.
Outro ponto de atenção é o uso off-label, quando o medicamento é utilizado fora das indicações aprovadas em bula. Embora permitido em algumas situações, esse tipo de uso exige embasamento científico, análise rigorosa de risco-benefício e consentimento do paciente.
A prescrição deve seguir critérios clínicos bem definidos, com receitas emitidas em duas vias. Já a dispensação precisa ocorrer exclusivamente em farmácias regularizadas, com acompanhamento de farmacêutico responsável, garantindo orientação adequada ao paciente quanto ao uso e possíveis efeitos adversos.
Entre os efeitos mais comuns estão a redução do apetite, melhora da resistência à insulina e alteração no esvaziamento gástrico. Por outro lado, também podem ocorrer náuseas, vômitos, distúrbios gastrointestinais e perda de massa magra, especialmente na ausência de acompanhamento nutricional.
Fiscalizações em Manaus e em outras regiões do país têm identificado irregularidades na comercialização desses medicamentos, principalmente em redes sociais, clínicas estéticas sem autorização e vendas online. As infrações incluem venda sem receita, propaganda irregular e aplicação por profissionais não habilitados, podendo resultar em multas, interdições e apreensão de produtos.
A imersão proposta busca justamente ampliar o conhecimento técnico e regulatório sobre o tema, abordando desde evidências científicas e farmacovigilância até a análise de riscos em toda a cadeia de produção e consumo.
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Voltado a profissionais e estudantes da área da saúde, além de gestores e autoridades públicas, o evento pretende fortalecer práticas mais seguras, éticas e alinhadas à legislação sanitária no uso dessas terapias.