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Espetáculo sobre Helena Blavatsky estreia em Manaus com apresentações no Teatro Amazonas
Foto: Divulgação

Monólogo protagonizado por Beth Zalcman será apresentado nos dias 17 e 18 de outubro; montagem aborda filosofia, espiritualidade, conhecimento e os desafios enfrentados pela pensadora russa.

Manaus recebe pela primeira vez o espetáculo teatral “Helena Blavatsky, A Voz do Silêncio”, protagonizado pela atriz Beth Zalcman e dirigido por Luiz Antônio Rocha. A montagem terá duas apresentações no Teatro Amazonas, nos dias 17 e 18 de outubro de 2026, sábado, às 20h, e domingo, às 17h.

 

Com mais de 225 apresentações realizadas em diferentes regiões do Brasil e público superior a 250 mil espectadores, o monólogo apresenta ao público a trajetória e o pensamento da filósofa russa Helena Blavatsky, figura conhecida por suas reflexões sobre espiritualidade, filosofia e a busca pelo conhecimento.

 

O texto é assinado por Lúcia Helena Galvão, filósofa, professora e poeta, que estreou na dramaturgia com a obra. A encenação reúne temas como ciência, religião, história, condição feminina e a capacidade humana de questionar ideias estabelecidas, propondo uma reflexão sobre questões que permanecem atuais.

 

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MONTAGEM DESTACA O PENSAMENTO FILOSÓFICO DE BLAVATSKY

 

A ideia de levar a história de Helena Blavatsky ao teatro acompanhava o diretor Luiz Antônio Rocha havia anos. O projeto ganhou forma a partir da colaboração com Lúcia Helena Galvão, que desenvolveu um texto voltado à dimensão filosófica e humanista da personagem.

 

A proposta também busca afastar estereótipos associados à pensadora, frequentemente relacionada ao ocultismo e a relatos de fenômenos paranormais, para destacar sua trajetória intelectual e suas ideias.

 

Segundo o diretor, o espetáculo enfatiza a busca incessante de Blavatsky pelo conhecimento, o diálogo entre diferentes culturas e a defesa de uma fraternidade universal. A montagem também aborda sua disposição para enfrentar dogmas, preconceitos e convenções sociais de sua época.

 

Beth Zalcman dá vida à filósofa em uma interpretação que explora os conflitos, as convicções e as reflexões da personagem. A atriz já havia trabalhado com Luiz Antônio Rocha na comédia “Brimas”, texto de sua autoria que lhe rendeu indicação ao Prêmio Shell na categoria de melhor texto.

 

Para Beth, interpretar Blavatsky representa uma oportunidade de rever certezas e aprofundar reflexões sobre a existência humana.

 

“Blavatsky me fez refletir, me despir de minhas certezas do mundo contemporâneo, para poder mergulhar na potência da alma humana, do feminino, nas reflexões profundas sobre a existência que deixamos adormecida dentro de nós. Trata-se de um texto belíssimo, um convite para que possamos escutar a nossa voz do silêncio”, afirmou a atriz.

 

Pelo trabalho no espetáculo, Beth Zalcman recebeu o Prêmio CENYM de Teatro Nacional, concedido pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (ATEB), como melhor atriz de 2023.

 

CENÁRIO E ILUMINAÇÃO CRIAM ATMOSFERA INTIMISTA

 

Com duração de 60 minutos, a peça conduz o público a uma experiência intimista, ambientada nos momentos finais da vida de Helena Blavatsky. A direção de arte, o cenário e os figurinos foram inspirados em pinturas do artista francês Édouard Manet, com a proposta de representar a solidão e a dimensão humana da personagem.

 

A montagem também utiliza referências ao sfumato, técnica artística italiana associada a Leonardo da Vinci, caracterizada pela suavização das transições entre luz e sombra e pela ausência de contornos rígidos.

 

Esses recursos visuais contribuem para criar uma atmosfera que aproxima o universo concreto das reflexões espirituais presentes no texto. A encenação propõe uma jornada entre memória, conhecimento e autoconhecimento, convidando a plateia a refletir sobre a própria existência.

 

Para Luiz Antônio Rocha, revisitar as ideias de Blavatsky é especialmente relevante diante dos conflitos políticos, das crises climáticas, da intolerância e das transformações provocadas pelo avanço tecnológico.

 

O diretor destaca que o pensamento da filósofa aponta para a importância das mudanças interiores como parte das transformações humanas e sociais.

 

A atriz também considera desafiador interpretar uma personalidade tão emblemática. Segundo ela, o papel exige sensibilidade, concentração e imaginação para transportar o público a um universo de questionamentos e possibilidades.

 

QUEM FOI HELENA BLAVATSKY?

 

Nascida no século XIX, Helena Blavatsky ficou conhecida por desafiar convenções sociais e se dedicar ao estudo de diferentes tradições filosóficas e espirituais. Em uma época marcada por restrições à participação feminina na vida intelectual, ela percorreu diferentes regiões do mundo em busca de conhecimento.

 

Suas viagens incluíram passagens pelo Egito, Oriente Médio e Índia. Posteriormente, Blavatsky desenvolveu ideias que deram origem à Teosofia, corrente que procura relacionar questões espirituais, filosóficas e cosmológicas.

 

Em 1875, ela fundou em Nova York, ao lado de Henry Steel Olcott e outros colaboradores, a Sociedade Teosófica, organização que posteriormente estabeleceu sua sede na Índia. O movimento contribuiu para ampliar o interesse por tradições religiosas orientais e pelo esoterismo no Ocidente.

 

Entre suas principais obras está “A Doutrina Secreta”, na qual apresenta suas concepções sobre a evolução do universo e da humanidade.

 

A trajetória de Blavatsky também foi marcada por controvérsias e críticas, incluindo acusações de fraude. Ainda assim, suas ideias despertaram interesse e influenciaram diferentes personalidades ligadas à literatura, às artes, à filosofia e à espiritualidade.

 

SINOPSE DO ESPETÁCULO

 

Ambientada em Londres, no final do século XIX, a peça apresenta Helena Blavatsky sozinha em seu quarto, no último dia de vida. À luz de uma vela, a personagem revisita lembranças, recupera conhecimentos adquiridos ao longo de suas viagens e reflete sobre as escolhas que marcaram sua trajetória.

 

Durante esse percurso, ela relembra sua ligação com a Índia, seus encontros e o compromisso com a missão que orientou sua existência. O monólogo propõe uma imersão no universo interior da filósofa e convida o público a refletir sobre o conhecimento, a espiritualidade e os caminhos do autoconhecimento.

 

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SERVIÇO

 

Espetáculo: Helena Blavatsky, A Voz do Silêncio

 Local: Teatro Amazonas, em Manaus

 Datas: 17 e 18 de outubro de 2026

 Horários: sábado, às 20h; domingo, às 17h

 Duração: 60 minutos

 Elenco: Beth Zalcman

 Direção: Luiz Antônio Rocha

 Texto: Lúcia Helena Galvão 

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