Transtorno mental crônico altera a percepção da realidade
A esquizofrenia afeta mais de 547 mil pessoas no Brasil, segundo estimativas de uma pesquisa nacional liderada por pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp). O transtorno mental crônico interfere na forma como o paciente pensa, sente, percebe a realidade e se relaciona com o ambiente ao redor.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 24 milhões de pessoas convivem com a esquizofrenia no mundo, o equivalente a uma em cada 300 pessoas. Apesar de ser uma condição conhecida, o transtorno ainda é cercado por desinformação e preconceitos que dificultam a busca por diagnóstico e tratamento.
Especialistas destacam que a associação entre esquizofrenia e violência é um dos principais estigmas enfrentados pelos pacientes. Segundo o psiquiatra Rodrigo Nicolato, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a maioria das pessoas com o transtorno não apresenta comportamento violento e, muitas vezes, são as próprias pessoas com a doença que sofrem exclusão e preconceito.
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A esquizofrenia é caracterizada por alterações na percepção, no pensamento, nas emoções e na motivação. Entre os sintomas mais comuns estão alucinações, principalmente auditivas, delírios, pensamentos desorganizados, isolamento social, redução da expressão emocional e dificuldades de concentração, memória e planejamento.
O diagnóstico é feito por um médico psiquiatra a partir da avaliação dos sintomas, do histórico do paciente e da exclusão de outras condições que possam causar manifestações semelhantes. Não existe um exame específico capaz de confirmar a doença, por isso a análise clínica é fundamental para identificar o transtorno.
A condição costuma surgir no final da adolescência ou no início da vida adulta. Nos homens, o início geralmente ocorre entre os 18 e 25 anos, enquanto nas mulheres tende a aparecer entre os 25 e 35 anos. Fatores genéticos, biológicos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
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Apesar de ser uma doença crônica e sem cura, a esquizofrenia pode ser controlada com tratamento adequado. O acompanhamento envolve o uso de medicamentos antipsicóticos, psicoterapia e, em alguns casos, suporte de outros profissionais da saúde. Com acompanhamento contínuo e apoio familiar, muitos pacientes conseguem estudar, trabalhar e manter uma vida funcional.