Corpo de criança enterrado em local onde funcionava um bordel do século XIV pode revelar segredos da Idade Média
Descobrir o contexto de um achado arqueológico é um grande desafio, e, no caso dessa escavação feita em 1998, foram necessários 27 anos. Há mais de duas décadas, pesquisadores encontraram um cenário incomum do século XIV: o corpo de uma criança de 3 meses enterrado no local onde funcionava um bordel na época.
Agora, em 2025, uma pesquisa publicada na revista Archaeological and Anthropological Sciences mostrou os resultados de uma análise do DNA dessa criança, indicando uma possível causa da morte e de seu enterro em um lugar inusitado.
A prostituição não é chamada de “a profissão mais antiga do mundo” à toa. Na Europa medieval, por exemplo, ela já era comum há muito tempo. Mas, apesar disso, os registros desse período normalmente mencionam apenas os bordeis e seus administradores, e pouco se fala sobre as mulheres que trabalhavam nesses ambientes.
Veja também

Mulher que fez sexo com 583 homens em seis horas é internada com sangramento
Aliás, até identificar um bordel medieval é desafiador. “A falta de evidências materiais claras de bordéis continua sendo um grande obstáculo ao estudo desses estabelecimentos. Descobertas relacionadas a bebidas ou jogos não são exclusivas de ambientes de bordéis e podem, por exemplo, também ser encontradas em tavernas”, explica a Dra. Maxime Poulain, líder do estudo, ao Phys.org.
No entanto, o ambiente escavado em 1998 pôde ser identificado como um bordel. Contendo dois fornos em forma de fechadura (banhos aquecidos) e uma lareira na sala adjacente usada para aquecimento, o edifício foi identificado como o “Nederstove” a partir de registros históricos.

Foto: Reprodução
Com isso em mente, os pesquisadores tentaram entender o que causou a morte da criança. Corpos de bebês encontrados em bordéis do passado normalmente estão associados a infanticídios que ocorriam logo após o nascimento, mas, aos 3 meses, não é um cenário esperado.
A análise de isótopos estáveis revelou que a criança estava bem nutrida antes de morrer, provavelmente tendo sido amamentada regularmente. Portanto, inanição ou desnutrição foram descartadas como causas da morte.Enquanto isso, um antigo teste de DNA revelou que a criança era do sexo masculino e não morreu de nenhuma doença bacteriana, incluindo peste, lepra, tuberculose ou cólera.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Isso não quer dizer que não foi uma morte natural. A mortalidade infantil na Idade Média era bem alta — em torno de 30% —, e muitas doenças virais não podiam ser testadas. Portanto, é possível que a criança, apesar de bem cuidada, tenha morrido de uma infecção ou doença.
Fonte: Olhar Digital