Governo americano usa alegação como pretexto para taxar a China
O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de países acusados de não combater de forma eficaz a entrada e a circulação de produtos ligados ao trabalho forçado. A principal crítica dos americanos envolve a cadeia da pecuária brasileira, que foi citada em um relatório comercial divulgado nesta semana.
Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), há registros de casos de trabalho análogo à escravidão relacionados à produção de gado no Brasil. O documento afirma que a utilização desse tipo de mão de obra na cadeia pecuária nacional está amplamente documentada e pode gerar vantagens competitivas no mercado internacional.
Com base na investigação, os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 12,5% para países que, na avaliação do governo americano, não possuem mecanismos considerados eficazes para impedir a importação ou comercialização de produtos associados ao trabalho forçado. O Brasil foi incluído entre os alvos da medida.
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O relatório também cita o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina para a China nos últimos anos. Os americanos argumentam que a ausência de barreiras mais rígidas contra produtos vinculados ao trabalho forçado teria favorecido a competitividade da carne brasileira em relação à produzida nos Estados Unidos.
Apesar das acusações, a carne bovina brasileira ficou fora da lista inicial de produtos que poderão ser atingidos pela nova tarifa. A exclusão chamou atenção porque o setor pecuário foi justamente o principal exemplo utilizado pelos americanos para justificar a proposta.
O governo brasileiro contestou as alegações e afirmou que o país possui mecanismos reconhecidos internacionalmente para combater o trabalho escravo contemporâneo. O Itamaraty também criticou a investigação americana e argumentou que eventuais sanções podem prejudicar políticas já existentes de fiscalização e combate à exploração de trabalhadores.
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A proposta ainda passará por consultas públicas e audiências antes de uma decisão final do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso seja aprovada, a medida poderá ampliar as tensões comerciais entre Brasília e Washington.