Ter algo novo como isso é realmente empolgante e oferece esperança aos pacientes
Nos últimos 20 anos, tem sido uma área em que os pesquisadores tentaram muito, mas entregaram muito pouco — diz Stephen Gough, vice-presidente sênior de assuntos médicos globais da Novo Nordisk, empresa que fabrica o Ozempic. — Ter algo novo como isso é realmente empolgante e oferece esperança aos pacientes.
O Ozempic já está aprovado para tratar diabete tipo 2 e para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves em adultos com a doença e histórico de doenças cardíacas. A FDA baseou sua decisão de expandir os usos aprovados do medicamento em pesquisas que mostraram que pessoas com diabete tipo 2 e doença renal crônica que tomaram o Ozempic tiveram 24% menos probabilidade de sofrer uma complicação, como precisar de diálise ou transplante, em comparação com pessoas que tomaram um placebo.
Elas também apresentaram taxas mais lentas de declínio renal e eram menos propensas a morrer devido a problemas cardiovasculares. — Quanto mais pudermos atrasar o declínio da função renal, melhor — disse Melanie Hoenig, nefrologista no Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston. Ela afirmou que já prescreve Ozempic para alguns de seus pacientes.
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Os médicos há muito expressam frustração com a escassez de opções de tratamento. Muitos pacientes tomam medicamentos para reduzir a pressão arterial, os níveis de açúcar no sangue e o colesterol, que tendem a estar elevados em pessoas com doença renal crônica. Pacientes também tomam medicamentos para aliviar o inchaço que ocorre quando os rins não conseguem filtrar corretamente o fluido, além de medicamentos para controlar os níveis de ferro, cálcio e vitamina D.

Os profissionais também costumam incentivar mudanças no estilo de vida, incluindo modificações na dieta e exercício, em parte porque isso pode ajudar a controlar o diabete tipo 2. — O alto nível de açúcar no sangue pode danificar os vasos sanguíneos nos rins, impedindo-os de filtrar os resíduos do sangue. Cerca de 40% das pessoas com diabete tipo 2 desenvolverão doença renal crônica — diz Gough.
Não está claro exatamente como o Ozempic pode beneficiar os rins além de controlar o diabetes. Pesquisadores teorizam que o medicamento reduz a inflamação por todo o corpo, incluindo os rins. Isso pode ajudar a explicar por que o medicamento e drogas semelhantes estão se mostrando tão úteis para uma série de condições crônicas, incluindo problemas cardiovasculares. Os medicamentos têm efeitos colaterais, sendo os mais comuns problemas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e dor abdominal.

Fotos: Reprodução
A aprovação significa que os médicos agora poderão prescrever o medicamento especificamente para a doença renal crônica em pacientes diabéticos, e as seguradoras enfrentarão mais pressão para cobrir o Ozempic. Embora mais pessoas procurem o Ozempic, a Novo Nordisk tem enfrentado dificuldades para atender à demanda. A FDA lista o semaglutido, o composto do Ozempic e do medicamento para perda de peso Wegovy, como atualmente em falta.
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Muitas pessoas, infelizmente, não conseguem obter o medicamento — diz Hoenig. — Mas se elas puderem e ele funcionar para elas, e se conseguirem tolerá-lo, é algo maravilhoso ter mais ferramentas.
Fonte: O Globo