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Estiagem atinge mais de 102 mil famílias e fumaça deixa 33 municípios do Amazonas sob alerta
Foto: Divulgação

Boletim divulgado nesta terça-feira (20) aponta 41 municípios em situação de emergência e registra níveis de qualidade do ar entre ruim e muito ruim em diversas regiões do estado; governo mantém operações de combate às queimadas.

A estiagem continua provocando impactos em dezenas de municípios do Amazonas, enquanto a fumaça dos incêndios florestais compromete a qualidade do ar em diferentes regiões do estado. Segundo boletim divulgado nesta terça-feira (20) pelo Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, do Governo do Amazonas, 102.445 famílias foram afetadas pela seca, e 41 municípios permanecem em situação de emergência.

 

Além das cidades em emergência, outros municípios estão classificados em níveis de alerta e atenção devido aos efeitos da estiagem. A Defesa Civil também emitiu avisos relacionados à qualidade do ar, com recomendações para reduzir a exposição à fumaça e prevenir problemas de saúde.

 

Entre os municípios em situação de emergência estão Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Humaitá, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

 

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O boletim também informa que Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Japurá, Manicoré, Manaus, Pauini, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará estão em situação de alerta. Já Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga permanecem em situação de atenção.

 

QUALIDADE DO AR PREOCUPA EM DIFERENTES REGIÕES

 

O Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (CEMOA) emitiu dois avisos na manhã desta terça-feira (20) devido à alteração da qualidade do ar provocada por incêndios florestais em áreas não protegidas do estado. Os alertas são válidos até a manhã de quarta-feira (21).

 

O primeiro aviso indica nível alto de concentração de partículas finas, conhecidas como MP2,5, com valores entre 50 e 125 microgramas por metro cúbico em 24 horas. Essa faixa corresponde a uma qualidade do ar classificada entre ruim e muito ruim.

 

O alerta abrange Alvarães, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Maués, Nhamundá, Novo Aripuanã, Parintins, Rio Preto da Eva, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba.

 

Outro aviso aponta nível moderado, com concentrações de MP2,5 acima de 15 microgramas por metro cúbico em 24 horas, nos municípios de Anamã, Barcelos, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Coari, Humaitá, Manicoré, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Tapauá e Tefé.

 

Segundo a Defesa Civil, moradores de áreas sob alerta moderado podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço, principalmente pessoas mais sensíveis à poluição. Nas localidades com nível alto, os efeitos podem atingir também a população em geral, enquanto crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes estão sujeitos a complicações mais graves.

 

A recomendação é aumentar a ingestão de água e outros líquidos, utilizar máscaras de proteção respiratória ao sair de casa, evitar a exposição direta à fumaça e suspender exercícios físicos ao ar livre enquanto a qualidade do ar estiver comprometida. A população também deve acompanhar os boletins meteorológicos e seguir as orientações das autoridades.

 

Em caso de sintomas graves ou emergências, a orientação é procurar atendimento médico. Os moradores podem acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192; o Corpo de Bombeiros, pelo 193; e a Defesa Civil de Manaus, pelo 199.

 

GOVERNO AMPLIA OPERAÇÕES CONTRA QUEIMADAS

 

O Governo do Amazonas afirma que intensificou as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais e aos efeitos da estiagem, em parceria com o Governo Federal. Cerca de 1,5 mil agentes, entre bombeiros militares, brigadistas e profissionais de órgãos federais, atuam nas operações.

 

A estrutura de combate inclui sete aviões Air Tractor, uma aeronave KC-390 e três helicópteros utilizados nas regiões afetadas. O Governo Federal também anunciou o envio de mais cinco aeronaves para reforçar os trabalhos, ampliando a capacidade de resposta às ocorrências.

 

Entre as medidas adotadas está a contratação de outros 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé. As ações incluem ainda o monitoramento de incêndios, a distribuição de viaturas e a entrega de picapes equipadas com kits de combate ao fogo, além de equipamentos multimissão.

 

Na fiscalização ambiental, a Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a operação Amazonas+Verde desenvolve ações de combate a incêndios em 33 cidades. A Operação Alerta Fogo também fiscaliza o uso irregular do fogo, com apoio de drones e viaturas equipadas com internet via Starlink. As equipes podem aplicar multas e embargos quando identificam infrações ambientais.

 

MAIS DE 23 MIL FOCOS DE INCÊNDIO COMBATIDOS

 

Entre 1º de junho e 20 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 3.772 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 23.425 focos de incêndio em todo o estado.

 

Do total de focos combatidos, 4.707 foram registrados na capital amazonense e 18.718 no interior.

 

Como parte das medidas preventivas, o governo estabeleceu, por meio de decretos, a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o Amazonas, respeitadas as exceções previstas em lei. Também foram declaradas situações de emergência por 180 dias em áreas afetadas pelos incêndios florestais e em todo o estado devido à estiagem, permitindo ampliar as ações de resposta e recuperação.

 

As iniciativas incluem atividades de educação ambiental, que alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026. O monitoramento dos focos de calor por imagens de satélite, realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), também auxilia na identificação de possíveis infrações e no direcionamento das equipes de fiscalização.

 

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Com a continuidade da estiagem e dos incêndios, o monitoramento das condições ambientais e da qualidade do ar permanece essencial para orientar as ações de combate e reduzir os riscos à população amazonense. 

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