Projeto desenvolvido em Manaus busca alternativas de baixo custo para o tratamento da água e pretende beneficiar comunidades ribeirinhas afetadas pela estiagem e pela dificuldade de acesso à água potável.
Transformar resíduos da biodiversidade amazônica em uma alternativa sustentável para o tratamento da água é o objetivo de um projeto científico desenvolvido por estudantes do Colégio Martha Falcão, em Manaus. A iniciativa utiliza materiais como caroço de açaí e casca de tucumã na construção de filtros ecológicos que poderão, futuramente, contribuir para melhorar o acesso à água em comunidades ribeirinhas.
Intitulada “Purificação Nativa: O uso de materiais ecológicos para tratamento de água na Amazônia”, a pesquisa investiga o potencial de recursos naturais abundantes na região para desenvolver soluções acessíveis e ambientalmente responsáveis.
Além dos experimentos realizados em laboratório, o trabalho inclui atividades de campo na comunidade do Livramento, localizada na região do Igarapé do Tarumã-Mirim, na zona rural de Manaus. A equipe também utilizou amostras de água da comunidade de Airão Velho, situada a aproximadamente 185 quilômetros da capital amazonense, nas proximidades do Parque Nacional do Jaú.
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A ideia surgiu diante das dificuldades enfrentadas por moradores do interior do Amazonas durante os períodos de seca extrema. A professora de Física Magna Bezerra, idealizadora do projeto e pós-graduada em Práticas Pedagógicas, acompanhou de perto os impactos da estiagem sobre familiares que vivem no interior e decidiu transformar essa realidade em uma oportunidade de aprendizado científico.
As amostras utilizadas nos experimentos foram enviadas por familiares da docente que moram na comunidade de Airão Velho. A partir dessa experiência, os estudantes passaram a investigar possibilidades de tratamento da água utilizando materiais encontrados na própria região amazônica.
O projeto faz parte das atividades do Clube do Futuro Cientista, iniciativa do Colégio Martha Falcão que completa 40 anos de incentivo à pesquisa e ao protagonismo estudantil. Oito alunos do ensino médio participam diretamente dos experimentos, sob orientação da professora Magna Bezerra.
FILTROS PASSAM POR APRIMORAMENTOS EM LABORATÓRIO
Os primeiros testes foram direcionados à análise de dois parâmetros importantes para avaliar a qualidade da água: o pH, que indica seu nível de acidez ou alcalinidade, e a turbidez, relacionada à presença de partículas que deixam a água menos transparente.
Para aperfeiçoar os resultados, os estudantes precisaram reconstruir os filtros três vezes. As mudanças envolveram ajustes nas etapas de filtragem e nas proporções dos resíduos orgânicos utilizados na composição dos materiais.
O processo permitiu que os participantes compreendessem, na prática, a importância da experimentação, da observação e da revisão de procedimentos para o desenvolvimento de soluções científicas.

Foto: Divulgação
A diretora-geral do colégio, professora Nelly Falcão de Souza, destacou a importância de aproximar o conhecimento acadêmico dos desafios ambientais e sociais enfrentados pela população amazônica.
Segundo ela, o projeto demonstra como a educação pode incentivar os jovens a buscar respostas para problemas reais, aliando ciência, sustentabilidade e valorização dos recursos naturais.
ESTUDANTES DESTACAM IMPORTÂNCIA DA INICIATIVA
A participação no projeto também proporcionou aos alunos uma experiência prática com a pesquisa científica. Letícia Meyrelles, estudante do 1º ano do ensino médio e destaque na Feira Científico-Cultural da escola pela apresentação dos resultados, ressaltou a importância de buscar alternativas para as dificuldades enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas.
Para a estudante, a utilização de recursos naturais disponíveis na Amazônia representa uma oportunidade de desenvolver soluções que considerem as necessidades da população e a preservação ambiental.
A proposta também chama a atenção para os desafios enfrentados por moradores de localidades isoladas, onde a infraestrutura de saneamento básico pode ser limitada e o acesso à água tratada se torna ainda mais difícil durante períodos de estiagem.
PRÓXIMAS ETAPAS INCLUEM ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS
A pesquisa ainda está em desenvolvimento. Nas próximas fases, os estudantes pretendem realizar análises microbiológicas mais detalhadas e aprimorar a composição dos filtros para avaliar a eficiência do tratamento.
A intenção é avançar na criação de uma tecnologia social de baixo custo que possa ser adaptada e reproduzida em comunidades com acesso limitado aos serviços de saneamento.
Entretanto, os filtros ainda precisam passar por testes específicos para verificar sua capacidade de remover microrganismos e outros contaminantes. Portanto, a água filtrada pelos protótipos não deve ser considerada potável sem comprovação laboratorial de sua segurança.
PROJETO AMAZONENSE SERÁ APRESENTADO EM BRASÍLIA
A relevância da iniciativa levou o trabalho a integrar a programação do X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (XFBEA), previsto para ocorrer em Brasília, no Distrito Federal, entre os dias 23 e 28 de novembro.
Organizado pela Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), em parceria com o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, o evento tem como tema “Educação Ambiental pela Vida” e reúne experiências de diferentes regiões do país voltadas à sustentabilidade e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
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A participação permitirá apresentar a pesquisa desenvolvida no Amazonas e compartilhar uma experiência que une educação científica, reaproveitamento de resíduos naturais e busca por alternativas para os desafios socioambientais da região.