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Estudantes e professores da Ufam fazem ato contra Flávio Bolsonaro e buscam votos para Lula
Foto: Divulgação

Mobilização ocorreu nesta quinta-feira (8), em Manaus, e teve como foco conquistar eleitores que não votaram, anularam o voto ou escolheram outros candidatos no primeiro turno

Estudantes e professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizaram, na manhã desta quinta-feira (8), uma manifestação em Manaus contra a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O ato começou no Setor Sul da universidade e seguiu pela avenida Beira Rio, no bairro Coroado, na Zona Leste da capital.

 

A mobilização ocorre no início do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e integra uma série de manifestações organizadas por estudantes em diferentes regiões do país após a votação do primeiro turno. Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para a segunda etapa da disputa.

 

No Amazonas, Lula terminou o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro. Segundo os dados da apuração, o candidato do PT recebeu 47,50% dos votos válidos no estado, enquanto Flávio Bolsonaro teve 45,61%.

 

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À frente da mobilização em Manaus, a presidente da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thaly Duarte, afirmou que a intenção do movimento é dialogar com eleitores que escolheram outros candidatos ou que não compareceram às urnas.

 

“[Estamos] indo virar o voto daqueles que votaram em outros candidatos e convencer quem votou em branco que a nossa alternativa é o presidente Lula. Nós tememos o que já vimos antes no passado. A Ufam passou por momentos de quase não ter condições para pagar terceirizados da limpeza e da segurança”, declarou.

 

Segundo Thaly, a mobilização também pretende defender investimentos nas universidades públicas e em políticas sociais. Ela citou programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Auxílio Gás como exemplos de iniciativas que, na avaliação do grupo, devem ser mantidas.

 

A estudante afirmou ainda que os participantes são contrários à proposta de Flávio Bolsonaro de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A medida está prevista no plano de governo do candidato e tem como justificativa aproximar o ensino superior da pesquisa, da inovação e do setor produtivo.

 

Para os manifestantes, porém, a mudança gera preocupação sobre o futuro do financiamento e das políticas destinadas às instituições federais.

 

MOBILIZAÇÃO BUSCA ELEITORES INDECISOS

 

Letícia Lima, diretora de comunicação da UEE-AM e presidente do Centro Acadêmico de Jornalismo (Cajor) da Ufam, afirmou que o movimento pretende ampliar o debate nas ruas e nas redes sociais.

 

“Nós temos a expectativa que essa mobilização consiga abrir o olhar da população amazonense e brasileira sobre os benefícios e a necessidade do governo do presidente Lula, nossa intenção é conquistar votos, sobretudo das pessoas que não votaram ou votaram nulo”, disse.

 

De acordo com Letícia, entre as principais preocupações do grupo estão possíveis mudanças nas políticas voltadas às universidades, escolas e trabalhadores, além de questões relacionadas à democracia, transparência, políticas públicas e desigualdade social.

 

O professor doutor Welton Oda, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Ufam, também participou da manifestação. Para ele, a comunidade acadêmica precisa se organizar diante do que considera riscos para o serviço público em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro.

 

“O governo de seu pai, as universidades públicas e o serviço público, de maneira geral, foram atingidos com cortes milionários, redução nas bolsas e na verba da assistência estudantil, mas também com a consequente redução na qualidade da educação oferecida”, afirmou.

 

O professor avaliou ainda que a mobilização deveria ter começado antes, durante o primeiro turno, mas considerou importante a participação da comunidade acadêmica no segundo turno.


ESTUDANTES DEFENDEM DIÁLOGO COM QUEM NÃO VOTOU

 

O estudante Lucas Rodrigues, do curso de Jornalismo da Ufam, afirmou que o objetivo do ato é também conversar com eleitores que não participaram da votação do dia 4 de outubro.

 

“Nesse segundo turno, a gente acredita que, além de convencer as pessoas a votarem, a gente quer apresentar as propostas do presidente Lula. Essa manifestação tem como objetivo ajudar as pessoas a entenderem sobre Flávio Bolsonaro e o que ele pode representar para o Brasil na questão de perigos, ataques a instituições, soberania e as políticas propostas”, declarou.

 

A mobilização ocorre em meio a outros atos organizados por estudantes em apoio à candidatura de Lula. No Rio de Janeiro, por exemplo, estudantes participaram de uma manifestação na quarta-feira (7), organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), com críticas a possíveis cortes na educação e defesa da continuidade de políticas educacionais.

 

MOVIMENTO TAMBÉM MIRA VOTOS DE QUEM ESCOLHEU OUTROS CANDIDATOS

 

O acadêmico de Ciências Econômicas Ricardo Miranda, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da União da Juventude Socialista (UJS), afirmou que a estratégia não é apenas mobilizar pessoas que já apoiam Lula.

 

Segundo ele, os atos pretendem alcançar eleitores que não compareceram às urnas, votaram em branco ou nulo e aqueles que escolheram outros candidatos no primeiro turno.

 

“A gente precisa convencer que essas pessoas estão votando contra seus próprios direitos, sua própria liberdade, e abrindo espaço para um momento histórico que a gente não quer mais, que já passou. A gente não quer retroceder”, afirmou.

 

Ricardo também citou como preocupação o histórico de cortes na educação durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e os possíveis impactos de uma política de redução de gastos sobre universidades públicas.

 

PROPOSTAS PARA A EDUCAÇÃO ENTRAM NO CENTRO DO DEBATE

 

A transferência das universidades federais para o MCTI é uma das propostas de Flávio Bolsonaro para o ensino superior. O plano de governo também prevê mudanças no financiamento estudantil, ampliação do ensino técnico e outras alterações na política educacional.

 

A campanha de Flávio defende uma redução das despesas públicas e apresenta propostas de reorganização do Estado. Ao mesmo tempo, reportagens recentes apontam que a equipe econômica discute medidas de ajuste fiscal que poderiam afetar despesas obrigatórias, incluindo saúde e educação, embora a campanha tenha negado que determinadas medidas divulgadas façam parte oficialmente do plano de governo.

 

Para Beatriz Ramos, estudante de Licenciatura em História, esse é um dos principais motivos para a continuidade das mobilizações.

 

“O nosso maior temor está na política do tesouraço, que é uma proposta do governo do Flávio Bolsonaro, com corte de gastos na educação que varia de R$ 190 bilhões a R$ 200 bilhões, e também com a transferência das universidades públicas, além de mexer com o Fundeb e o piso salarial dos professores”, afirmou.

 

Segundo a estudante, os atos também têm como objetivo defender a valorização dos professores e a manutenção de investimentos na educação pública.

 

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As manifestações devem continuar durante o segundo turno, marcado para 25 de outubro, com ações voltadas principalmente ao diálogo com eleitores que ainda não definiram o voto. 

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