Pesquisadores identificaram sinais de rupturas próximas entre as falhas de Cascadia e San Andreas e estimam um cenário de emergência para milhões de pessoas
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon (OSU), nos Estados Unidos, identificou evidências de que grandes terremotos nas falhas de Cascadia e San Andreas podem ter ocorrido com poucos minutos ou horas de diferença ao longo da história. Segundo os cientistas, uma sequência desse tipo poderia provocar uma situação de emergência em uma extensa área da costa oeste norte-americana.
A falha de Cascadia é uma zona de subducção com cerca de 1 mil quilômetros de extensão, que se estende do Canadá até o norte da Califórnia. Já a falha de San Andreas atravessa parte da Califórnia e é uma das estruturas geológicas mais conhecidas do país.
Para investigar uma possível relação entre os dois sistemas, os pesquisadores analisaram núcleos de sedimentos retirados do fundo do oceano. O material preserva aproximadamente 3.100 anos de registros geológicos e permite reconstruir episódios de grandes terremotos ocorridos no passado.
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Um dos principais elementos analisados foram os turbiditos, camadas de sedimentos que podem ser formadas por deslizamentos submarinos. Esses movimentos podem ser provocados por diferentes fenômenos, incluindo terremotos de grande intensidade.
Ao comparar os registros associados às regiões de Cascadia e do norte da falha de San Andreas, os cientistas encontraram padrões que indicam que grandes rupturas ocorreram em alguns períodos com intervalos excepcionalmente curtos.
Normalmente, os turbiditos apresentam os sedimentos mais pesados na parte inferior e os materiais mais finos acima. Em uma das amostras analisadas, entretanto, os pesquisadores encontraram uma sequência diferente, com material fino abaixo de sedimentos mais grossos.
A formação incomum levou os cientistas a considerar a possibilidade de que dois eventos sísmicos distintos tenham ocorrido em rápida sucessão. A interpretação é que o material mais fino tenha sido depositado após um grande terremoto associado à zona de subducção de Cascadia, enquanto a camada mais grossa teria sido formada por um evento posterior relacionado à região norte da falha de San Andreas.
De acordo com Chris Goldfinger, geólogo marinho da Universidade Estadual do Oregon, a equipe encontrou três episódios nos últimos 1.500 anos nos quais as duas regiões parecem ter registrado rupturas com diferença de minutos a horas.
Um dos episódios identificados teria ocorrido por volta do ano 1700. Os pesquisadores, porém, ressaltam que não é possível determinar com precisão o intervalo entre terremotos que aconteceram há centenas ou milhares de anos.
A possibilidade de terremotos próximos no tempo preocupa os cientistas por causa da quantidade de pessoas e da infraestrutura existente na costa oeste dos Estados Unidos e no Canadá.
“Podemos esperar que um terremoto em apenas uma das falhas mobilize os recursos de todo o país para respondê-lo. E, se ambas ocorressem simultaneamente, teríamos potencialmente San Francisco, Portland, Seattle e Vancouver em situação de emergência em um curto período de tempo”, afirmou Goldfinger em comunicado.
Segundo a estimativa apresentada pelos pesquisadores, um cenário desse tipo poderia afetar cerca de 3 milhões de pessoas.
A região de Cascadia já registrou terremotos de grande magnitude. O mais conhecido ocorreu em 1700 e teria atingido magnitude entre 8,7 e 9,2. O tremor provocou um tsunami que atravessou o Oceano Pacífico e atingiu a costa do Japão.
Registros históricos e evidências geológicas indicam que grandes terremotos na região podem ocorrer em intervalos de centenas de anos. Algumas estimativas utilizadas pelos pesquisadores apontam para períodos de aproximadamente 300 a 500 anos, embora isso não signifique que exista uma periodicidade fixa para esses eventos.
Os cientistas também trabalham com estimativas de risco para as próximas décadas. Uma projeção citada no estudo aponta uma probabilidade de 10% a 15% de um terremoto de magnitude superior a 9 atingir a costa noroeste dos Estados Unidos nos próximos 50 anos.
Um evento dessa dimensão poderia provocar impactos significativos sobre cidades, estradas, pontes, túneis, viadutos e sistemas de abastecimento. Projeções de planejamento de emergência também consideram milhares de mortes e até cerca de 1 milhão de pessoas desabrigadas em um cenário extremo.
Além dos danos estruturais, interrupções prolongadas no fornecimento de água e energia poderiam afetar comunidades inteiras.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que o estudo não prevê quando ocorrerá um novo terremoto nem afirma que as duas falhas necessariamente entrarão em ruptura ao mesmo tempo. A análise busca compreender o comportamento passado das estruturas geológicas e avaliar possíveis cenários de risco para a população.
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O objetivo é utilizar os registros preservados nos sedimentos para melhorar a compreensão sobre terremotos históricos e contribuir para o planejamento de emergência diante de futuros eventos sísmicos na costa oeste da América do Norte.