Pesquisa foi amparada pelo Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, parceria entre Fapeam e CNPq
Simular o avanço da fronteira do desmatamento e a perda de estoque de carbono no período de 2021 a 2070 na Região Trans-Purus foi um dos objetivos de uma pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O estudo realizado no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), abrangeu a região central e sul do Amazonas, em cerca de 24 municípios.
O projeto intitulado ”Predição do desmatamento e perda do estoque de carbono na região Trans-Purus, o último grande remanescente de floresta na Amazônia brasileira” avaliou uma extensa área de floresta intacta a oeste do rio Purus no Amazonas.
A ideia foi reunir informações sobre o impacto de diferentes decisões na conservação e proteção de “florestas públicas não destinadas”, regiões que ainda não tiveram um uso específico definido.
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Coordenada por Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, doutor em Sensoriamento Remoto e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a pesquisa levou em consideração a elaboração de diferentes cenários e estimativas de perda do estoque de carbono ao longo do período de 2021 a 2070 em diferentes categorias fundiárias, como áreas protegidas e assentamentos rurais.
A pesquisa trouxe elementos que ajudam a entender de maneira mais realista os padrões espaciais do desmatamento e as taxas de desmatamento. Os dados coletados podem auxiliar na elaboração de modelos climáticos e de perda da biodiversidade, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas sobre a valorização da floresta em pé e dos seus serviços ambientais.
CENÁRIOS

Foto: Acervo do pesquisador Paulo Maurício.
O estudo adotou técnicas computacionais aplicadas ao “Modelo Trans-Purus”, que foi desenvolvido no software Dinamica-EGO, e projetou o impacto de rodovias planejadas sobre o desmatamento e o avanço de ocupações ilegais de terras em áreas florestais. Foram investigados possíveis cenários de proteção ambiental e a criação de unidades de conservação na região Trans-Purus, que inclui uma área de floresta intacta a oeste do rio Purus no Amazonas.
“Os modelos utilizados para simular o desmatamento tenderão a se tornar mais realísticos com o avanço nas tecnologias computacionais e melhor compreensão nas variáveis que regulam o avanço do desmatamento, tais como variáveis econômicas e políticas, permitindo que as predições futuras sejam cada vez mais estratégicas para o planejamento da conservação das florestas”, declarou Paulo Maurício.
A pesquisa foi realizada com base na região de influência da rodovia estadual planejada (AM-366) que liga a rodovia BR-319 ao município de Tefé (distante a 523 quilômetros da capital). As seguintes sub-regiões fizeram parte das análises: a região Trans-Purus; a região sob influência da BR-319; a região do entorno de Manaus; a região sul do Amazonas, com influência do município de Lábrea (distante a 702 km), também incluindo parte de Canutama (distante a 619 km), Humaitá (distante a 590 km) e Porto Velho (Rondônia); e a região do Juruá, sob influência das populações que habitam as margens do rio Juruá, incluindo os municípios de Carauari, Juruá e parte de Fonte Boa (distantes a 788 km, 674 km e 678 km, respectivamente).
IMPACTO SOCIAL
Sobre o impacto social e a abordagem adotada no estudo, o pesquisador pontua que o avanço do desmatamento causa graves consequências nas comunidades tradicionais da Amazônia, que dependem dos serviços ecossistêmicos da floresta para sobreviver.
“A representação espacialmente explícita desses processos e causas, por meio de ferramentas de modelagem ambiental, é fundamental para compreender a evolução do desmatamento em regiões críticas da Amazônia onde a fronteira do desmatamento está avançando”, argumentou.mA expectativa é que, a longo prazo, os resultados e produtos deste projeto contribuam para o debate público, ressaltando a importância da floresta para a manutenção do clima e para o desenvolvimento sustentável.
APOIO DA FAPEAM
Paulo Maurício definiu o apoio da Fapeam como fundamental na realização do projeto, que possibilitou a aquisição de equipamentos especializados para o processamento das informações coletadas.
“Esse apoio foi fundamental para o avanço científico que tivemos neste projeto. Os resultados obtidos têm um impacto significativo em termos ambientais, científicos e socioeconômicos para nossa região”, concluiu.
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CHAMADA FAP/CNPQ
O Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, uma parceria da Fapeam com o CNPq, apoia projetos de pesquisa que contribuam, significativamente, para o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação do país, por meio da concessão de bolsas e auxílio à pesquisa para jovens doutores em todas as áreas do conhecimento.