Mesmo com avanços nas políticas públicas, muitos indivíduos ainda sofrem com o preconceito, que dificulta um pré-natal digno e de qualidade
Apesar do aumento na visibilidade das gestações de homens transgênero nos últimos anos, com notícias e representações em novelas, a discussão ainda se limita a histórias individuais. Como consequência, esses casos tendem a parecer raros e até curiosos, escondendo a desigualdade no acesso à assistência médica qualificada e ao direito reprodutivo.
Uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) verificou que o atendimento à gestação transmasculina é marcada por invisibilidade institucional, fragilidade das evidências clínicas e despreparo generalizado dos serviços de saúde.
Publicada em maio de 2025 na revista Physis, a revisão destaca a ausência de divulgação de diretrizes específicas para o acompanhamento dessa população, o que gera práticas inadequadas ou excludentes.“Não é incomum ouvir relatos de transfobia em consultórios médicos, hospitais e laboratórios de exames”, aponta o ginecologista e obstetra Emmanuel Nasser Vargas Araujo de Assis, do Einstein Hospital Israelita.
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“A violência vai desde o desrespeito ao pronome e ao nome social do indivíduo até o despreparo dos profissionais para atender as demandas físicas e psicológicas específicas do gestante”.
O estudo da UERN também evidencia que o planejamento familiar do sistema de saúde raramente contempla homens trans, o que reforça a ideia equivocada de que esses indivíduos são inférteis ou não desejam ter filhos.
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Da mesma forma, como os aconselhamentos sobre métodos contraceptivos e cuidados no pré-natal partem de pressupostos cisheteronormativos (ou seja, que apenas mulheres cisgênero engravidam), muitas pessoas trans só entram em contato com as unidades de saúde quando a gravidez já está em curso, momento em que gestante e feto já estão mais vulneráveis a complicações.