NOTÍCIAS
Saúde
Estudo aponta irregularidades em centenas de pesquisas de instituto ligado à defesa da hidroxicloroquina
Foto: Divulgação

Análise identificou falhas éticas e legais em mais de 850 artigos do instituto francês que ganhou projeção durante a pandemia de Covid-19.

Uma análise publicada em 12 de agosto na revista científica Research Integrity and Peer Review identificou irregularidades em pelo menos um terço dos estudos produzidos pelo Institut Hospitalo-Universitaire Méditerranée Infection (IHU), na França. A instituição ficou conhecida mundialmente durante a pandemia por defender o uso da hidroxicloroquina como tratamento para a Covid-19.

 

Segundo o levantamento, 853 dos 2.674 artigos publicados entre 1994 e 2024 apresentaram problemas relacionados ao cumprimento de normas éticas e legais na condução das pesquisas.

 

Os pesquisadores responsáveis pela análise afirmam que as falhas encontradas comprometem não apenas os registros científicos, mas também a confiança pública no processo de produção do conhecimento.

 

Veja também 

 

Dia D de Multivacinação mobiliza postos de saúde neste sábado em todo o Brasil

 

Sociedade médica atualiza tratamento para diabetes tipo 2; veja o que mudou

 

Entre as irregularidades apontadas, 343 estudos não possuíam aprovação de comitês de ética, enquanto 78 pesquisas biomédicas teriam descumprido exigências previstas na legislação francesa.

 

A análise também identificou dezenas de casos em que as autorizações éticas foram obtidas somente após o início das pesquisas, prática considerada incompatível com os procedimentos exigidos para esse tipo de estudo.

 

Nos últimos anos, cerca de 64 artigos do IHU foram oficialmente retratados, enquanto outros 270 receberam manifestações de preocupação, mecanismo utilizado por revistas científicas para alertar sobre possíveis problemas em publicações.

 

Os autores da nova análise defendem que outros trabalhos da instituição sejam revisados para verificar se novas correções ou retratações são necessárias.

 

O estudo também levanta questionamentos sobre a supervisão exercida pela Universidade Aix-Marseille, responsável pelas atividades acadêmicas do instituto. Em nota, a universidade informou que adotou medidas após ser alertada sobre as irregularidades em 2020 e encaminhou os resultados de sua investigação às autoridades competentes.

 

O IHU alcançou projeção internacional em março de 2020, quando seu fundador, o pesquisador Didier Raoult, publicou um estudo sugerindo que a hidroxicloroquina, isoladamente ou combinada à azitromicina, poderia ser eficaz contra a Covid-19.

 

O trabalho recebeu ampla repercussão e chegou a ser citado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram

 

Posteriormente, a pesquisa passou a ser alvo de críticas da comunidade científica por limitações metodológicas, incluindo a ausência de ensaios clínicos robustos capazes de comprovar a eficácia do tratamento. Em 2025, o artigo foi oficialmente retratado por motivos científicos e éticos, embora já tivesse sido amplamente citado em outras publicações. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.