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Estudo aponta possível relação entre Wegovy e risco raro de ''AVC ocular'', mas especialistas pedem cautela
Foto: Reprodução

Análise de relatos sugere ligação do Wegovy com problema raro no nervo óptico, mas especialistas dizem que risco ainda é baixo

Um estudo recente levantou um alerta envolvendo o uso do medicamento Wegovy, amplamente utilizado no tratamento da obesidade, ao sugerir uma possível ligação com casos raros de perda de visão associados ao chamado “AVC ocular”. Apesar da repercussão, especialistas reforçam que os dados ainda são preliminares e não comprovam uma relação direta de causa e efeito.


O Wegovy é um medicamento à base de semaglutida, indicado para controle e redução de peso, que atua no cérebro aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o apetite. Nos últimos anos, ele ganhou destaque por sua eficácia no emagrecimento, sendo cada vez mais utilizado em tratamentos clínicos.


A preocupação surgiu após a análise de registros de efeitos adversos relacionados à substância. O levantamento identificou alguns casos de uma condição chamada neuropatia óptica isquêmica, popularmente conhecida como “AVC ocular”. Trata-se de um problema causado pela interrupção do fluxo sanguíneo no nervo óptico, o que pode levar à perda súbita da visão, geralmente sem dor.

 

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Os dados analisados incluíram mais de 30 mil notificações de efeitos colaterais associadas a medicamentos com semaglutida. Entre esses relatos, foram identificados poucos casos da condição ocular — menos de 1% dos pacientes que apresentaram algum efeito adverso. Isso indica que, embora o risco exista, ele é considerado extremamente baixo dentro do universo total de usuários.


Outro ponto importante destacado pelos pesquisadores é que o estudo não avaliou pacientes diretamente, mas sim notificações espontâneas registradas em bancos de dados de segurança de medicamentos. Isso significa que não é possível afirmar com certeza que o Wegovy foi o responsável pelos casos, já que muitos usuários podem ter condições pré-existentes, como hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares — fatores que, por si só, já aumentam o risco de problemas oculares.


Especialistas também apontam que a própria obesidade e doenças associadas podem contribuir para complicações vasculares, incluindo no olho. Assim, ainda não está claro se o risco observado está ligado diretamente ao medicamento ou ao perfil de saúde dos pacientes que o utilizam.
Mesmo com o alerta, a comunidade médica reforça que os benefícios do Wegovy continuam superando os riscos para a maioria dos pacientes, especialmente quando o uso é feito com acompanhamento profissional. O medicamento, além de ajudar na perda de peso, também pode reduzir riscos cardiovasculares importantes em pessoas com obesidade.


A principal recomendação é que usuários fiquem atentos a qualquer alteração visual repentina, como visão turva ou perda parcial da visão, e procurem atendimento médico imediato nesses casos. O diagnóstico precoce é essencial para tentar evitar danos permanentes.

 

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Dessa forma, o estudo amplia o debate sobre a segurança de medicamentos para emagrecimento, mas ainda não muda as orientações atuais de uso. A relação entre o Wegovy e o chamado “AVC ocular” segue em investigação, e novos estudos clínicos serão necessários para confirmar — ou descartar — essa possível associação.
 

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