Pesquisas em animais indicam que o CBD pode reduzir danos neurológicos e melhorar a memória.
Um novo estudo científico sugere que o canabidiol (CBD), composto derivado da planta Cannabis sativa, pode ter efeitos positivos na proteção do cérebro contra os danos causados pela Doença de Alzheimer. A pesquisa, publicada na revista Molecular Psychiatry, foi conduzida por cientistas da Universidade de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências e de outras instituições.
A investigação foi realizada com camundongos geneticamente modificados para desenvolver características semelhantes às da doença, como perda de memória e alterações comportamentais. Durante 45 dias, os animais receberam doses regulares de CBD, e os resultados mostraram melhorias significativas.
Ao final do experimento, os pesquisadores observaram redução no acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro, especialmente tau e beta-amiloide substâncias diretamente associadas à progressão do Alzheimer. Além disso, houve recuperação das sinapses, estruturas fundamentais para a comunicação entre neurônios, e melhora no desempenho em testes de memória.
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Outro ponto relevante foi a diminuição de comportamentos relacionados à ansiedade nos animais tratados com o composto.
Para entender como o CBD atua no organismo, os cientistas analisaram os mecanismos moleculares envolvidos. Eles identificaram que o canabidiol interage com uma proteína chamada FRS2, ativando uma via importante para a sobrevivência e a plasticidade dos neurônios.
Segundo o pesquisador Xiubo Du, o CBD não substitui o fator de crescimento BDNF, mas potencializa o sistema de sinalização utilizado por essa proteína, contribuindo para a proteção das células cerebrais.
Os testes também mostraram que, ao bloquear a proteína FRS2, os efeitos positivos do canabidiol praticamente desaparecem. Nesses casos, o composto deixou de reduzir o acúmulo de proteínas nocivas e não conseguiu preservar as conexões neurais.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que o estudo foi realizado apenas em modelos animais. Por isso, ainda são necessários ensaios clínicos em humanos para confirmar a eficácia e a segurança do uso do CBD no tratamento ou prevenção do Alzheimer.
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A descoberta abre caminho para novas abordagens terapêuticas e reforça o interesse da ciência no potencial medicinal do canabidiol.