Dor menstrual ainda é subnotificada no SUS
Um estudo realizado pela Vital Strategies Brasil, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), revelou que dores menstruais e pélvicas enfrentadas por mulheres brasileiras podem estar amplamente subnotificadas nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa analisou dados de mais de 469 mil meninas e mulheres entre 10 e 49 anos atendidas na rede pública de saúde em Recife, entre 2016 e 2025. Segundo o levantamento, os casos registrados oficialmente por meio dos códigos de doenças representam apenas 0,5% das pacientes. Porém, com o uso de inteligência artificial para identificar relatos escondidos em prontuários médicos, o número subiu para cerca de 41 mil casos, equivalente a 9% das mulheres analisadas.
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Os pesquisadores apontam que muitas queixas aparecem apenas nos relatos subjetivos das pacientes e acabam não sendo consideradas de forma adequada no atendimento clínico. Informações importantes, como intensidade, frequência e duração das dores, também aparecem em menos de 5% dos registros.
O estudo ainda identificou relação entre dores menstruais e histórico de violência interpessoal. Mulheres com dores pélvicas apresentaram 43% mais chances de possuir registros ligados à violência.
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Especialistas alertam que a naturalização da dor menstrual pode atrasar diagnósticos e dificultar o acesso ao tratamento adequado. Segundo os pesquisadores, melhorar o acolhimento e o registro das informações pode contribuir para políticas públicas mais eficazes voltadas à saúde feminina.