Pesquisa da USP considerou a cor da pele como fator de risco independente, ou seja, comparando indivíduos com as mesmas características
No Brasil atual, a cor da pele é fator de risco. Pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e publicada nesta sexta-feira (23) indica que pessoas negras têm 49% mais chances de morrer assassinadas do que aqueles identificados como brancos.
O estudo foi realizado pelos médicos Antonio Pazin Filho, professor na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, e Rildo Pinto da Silva, pesquisador na mesma instituição, a partir do cruzamento de dados do Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com os do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. A pesquisa foi publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva.
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"Há fortes evidências de que simplesmente a cor da pele é a causa de morte violenta”, afirma Silva. Ele explica que o estudo foi desenhado criando "grupos iguais que sejam diferentes apenas na cor da pele” justamente para verificar se o desfecho "morte violenta” é diferente para negros em relação à cor de comparação, no caso a branca. "É possível afirmar que […] negros, pardos e pretos, morrem mais por morte violenta que os brancos em função da cor da pele. E esse é um ponto importante do estudo: a tentativa de mostrar causalidade relativa à cor da pele”, explica.

Foto: Reprodução
Este trabalho, que levou quase quatro meses, serviu para eliminar o peso de outros fatores, como escolaridade, idade, sexo e local de moradia. Assim, os pesquisadores chegaram ao peso que a cor da pele tem como fator de risco independente para que um brasileiro morra assassinado.
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Silva diz que seu trabalho atualiza "um dado sabido” ou seja, "que negros morrem mais [de forma violenta] do que brancos”. E, acima de tudo, demonstra que "há forte evidência de que isso seja em grande parte devido à cor da pele”.