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Estudo aponta que poluição do ar pode alterar funcionamento de genes nos espermatozoides
Foto: Reprodução/ Freepik

Pesquisa identificou mudanças epigenéticas associadas à exposição a poluentes, como ozônio e dióxido de nitrogênio

A exposição à poluição do ar pode alterar o funcionamento de determinados genes nos espermatozoides, segundo um dos maiores estudos já realizados sobre o tema. A pesquisa identificou mudanças epigenéticas — alterações que regulam a atividade dos genes sem modificar a sequência do DNA — relacionadas principalmente ao contato com ozônio e dióxido de nitrogênio.

 

Os resultados foram apresentados durante o congresso anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Londres. O estudo foi conduzido pela epidemiologista Carrie Nobles, da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos.

 

A pesquisa acompanhou mais de 2 mil homens entre 2013 e 2017, em Salt Lake City. Durante o estudo, os participantes forneceram amostras de sêmen em diferentes períodos, enquanto os pesquisadores estimaram a exposição de cada voluntário a poluentes atmosféricos nos três meses anteriores à coleta, fase em que ocorre a produção dos espermatozoides.

 

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Ao analisar amostras de 1.220 participantes, os cientistas identificaram 39 alterações na metilação do DNA, mecanismo responsável por regular quais genes permanecem ativos ou inativos. As mudanças foram associadas principalmente à exposição ao ozônio e ao dióxido de nitrogênio.

 

Entre os genes afetados está o GNAS, que já havia sido relacionado, em pesquisas anteriores, à qualidade do sêmen e ao desenvolvimento fetal. Embora muitas dessas alterações epigenéticas desapareçam nas primeiras fases do desenvolvimento embrionário, algumas podem permanecer e influenciar processos biológicos posteriores.

 

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Segundo Carrie Nobles, os resultados indicam que a poluição pode interferir na expressão gênica dos espermatozoides, mas ainda não há evidências suficientes para concluir que essas alterações afetem diretamente a fertilidade masculina. Especialistas independentes consideraram o estudo relevante e afirmaram que ele reforça as evidências sobre os possíveis impactos da poluição atmosférica na saúde reprodutiva, embora sejam necessárias novas pesquisas para confirmar o significado clínico das mudanças observadas. 

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