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Estudo identifica 248 compostos produzidos pelo homem na água dos oceanos
Foto: Freepik/Reprodução

Entenda quais substâncias químicas fabricadas pelo homem estão dissolvidas na água dos oceanos

Uma análise de 2.315 amostras coletadas em diferentes regiões dos oceanos identificou a presença de 248 compostos químicos produzidos por atividades humanas. As substâncias incluem componentes utilizados na fabricação de plásticos, pesticidas e até resíduos de medicamentos.

 

Os compostos, conhecidos como xenobióticos, fazem parte da matéria orgânica dissolvida na água do mar. O estudo está entre as análises mais abrangentes já realizadas sobre a presença de poluentes químicos nos oceanos e chama atenção para a dispersão dessas substâncias pelos ecossistemas marinhos.

 

Entre os compostos mais encontrados estão polialquileno glicóis, ftalatos e organofosfatos, muitos associados à indústria de plásticos e a outros processos industriais. Também foram identificados resíduos de medicamentos, como atenolol e valsartana, usados no tratamento da hipertensão, além de substâncias presentes em repelentes, como DEET e icaridina.

 

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As amostras foram coletadas entre 2017 e 2022 em diferentes regiões, incluindo os oceanos Índico, Atlântico Norte, Pacífico Central e Oriental, além do Mar Báltico e do Caribe.

 

A concentração dos sinais químicos variou conforme a localização. As maiores ocorrências foram registradas em áreas costeiras, especialmente próximas a regiões urbanizadas e locais onde rios que recebem efluentes desembocam no mar. Em algumas dessas áreas, os compostos chegaram a representar mais de 20% da composição analisada, alcançando até 76% em determinados pontos.

 

No oceano aberto, distante das áreas costeiras, a presença foi significativamente menor, com média de aproximadamente 0,5%. Ainda assim, os pesquisadores consideram o resultado relevante por se tratar de regiões afastadas das principais fontes de atividade humana.

 

Os medicamentos tiveram maior presença em áreas próximas a estuários. Entre as substâncias identificadas estão derivados do atenolol, delorazepam, ácido nalidíxico, cloroquina e valsartana.

 

Já os pesticidas apresentaram maior concentração em determinadas regiões costeiras, como áreas da África do Sul e do Caribe. Substâncias utilizadas em repelentes também foram encontradas em parte das amostras.

 

Os pesquisadores destacam que a identificação dessas substâncias não significa necessariamente que todas estejam presentes em concentrações capazes de provocar efeitos imediatos à saúde humana. O principal alerta está na ampla distribuição dos compostos e na necessidade de compreender melhor seus impactos de longo prazo sobre os ecossistemas.

 

Segundo os autores, a presença de substâncias produzidas por atividades humanas em uma parcela significativa da matéria orgânica dissolvida dos oceanos pode interferir em processos ambientais, incluindo o ciclo do carbono.

 

O estudo também reforça a necessidade de monitoramento contínuo e padronizado da poluição química dos oceanos. Os pesquisadores defendem a ampliação das análises para regiões que ainda possuem poucos dados, como o Atlântico Sul, que inclui a costa brasileira.

 

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Novos estudos deverão investigar de forma mais detalhada o comportamento desses compostos no ambiente marinho, sua persistência e os possíveis efeitos sobre os organismos que vivem nos oceanos. 

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