Descoberta de cientistas abre caminho para exames mais precisos e tratamentos preventivos antes do surgimento da doença.
Pesquisadores internacionais desenvolveram uma nova ferramenta capaz de identificar sinais precoces do câncer de pulmão por meio de exames de sangue. O estudo, publicado na revista científica Cell, revelou um conjunto de 14 proteínas que pode indicar o risco de desenvolvimento da doença até cinco anos antes do diagnóstico.
A pesquisa analisou amostras de plasma sanguíneo de mais de 48 mil participantes do banco de dados britânico UK Biobank. Com o auxílio de inteligência artificial e técnicas de aprendizado de máquina, os cientistas identificaram uma assinatura biológica associada a processos inflamatórios nos pulmões que antecedem o aparecimento do câncer.
Atualmente, os programas de rastreamento do câncer de pulmão são direcionados principalmente para pessoas acima de 50 anos com histórico de tabagismo. A nova descoberta, porém, pode ampliar a capacidade de detecção para grupos que normalmente ficam fora desses critérios, como não fumantes e indivíduos expostos à poluição do ar.
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Segundo os pesquisadores, a assinatura proteica foi validada em oito diferentes bancos de dados internacionais e apresentou resultados consistentes, inclusive entre pessoas que nunca fumaram. Os testes mostraram que os marcadores não são produzidos pelo tumor, mas por alterações inflamatórias no tecido pulmonar que ocorrem anos antes do desenvolvimento da doença.
Os cientistas também observaram que a mesma resposta inflamatória esteve presente em pessoas que posteriormente desenvolveram outras enfermidades respiratórias graves, como fibrose pulmonar idiopática e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Outro achado importante do estudo aponta que a poluição atmosférica pode estimular a liberação da proteína inflamatória interleucina-1 beta, responsável por ativar células com mutações adormecidas, favorecendo o surgimento de tumores. Em testes realizados com camundongos, o bloqueio dessa substância reduziu a formação inicial de células cancerígenas.
Especialistas destacam que os resultados representam uma importante prova de conceito para o futuro da medicina preventiva. A expectativa é que, nos próximos anos, exames baseados nessas proteínas permitam identificar pacientes de alto risco e iniciar intervenções antes mesmo do aparecimento do câncer.
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A descoberta reforça a importância da pesquisa científica na busca por métodos mais eficazes de diagnóstico precoce, aumentando as chances de tratamento e reduzindo a mortalidade causada pelo câncer de pulmão, uma das doenças que mais mata no mundo.