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Estudo inédito revela força da bioeconomia na Amazônia e desafios para ampliar desenvolvimento sustentável
Foto: Divulgação

Relatório mostra que comunidades já transformam a floresta em fonte de renda, mas apontam entraves como logística, crédito e acesso a mercados.

Um levantamento inédito sobre a bioeconomia na Amazônia revelou que comunidades da região já impulsionam uma economia baseada na floresta em pé e nos produtos da sociobiodiversidade, ao mesmo tempo em que enfrentam desafios que dificultam a expansão dessas iniciativas. As conclusões fazem parte do relatório "Bioeconomia e Territórios da Amazônia", desenvolvido pelo Programa EcoAm.

 

O estudo foi produzido pelo EcoAm – Fomentando Ecossistemas de Impacto na Amazônia, iniciativa criada em 2024 por meio de uma parceria entre Impact Hub Manaus, BID Lab, Instituto Meraki, Fundo Vale e Sebrae Amazonas. O programa atua no fortalecimento da bioeconomia em municípios do interior da Amazônia, promovendo geração de renda, empregos verdes e desenvolvimento territorial.

 

Além da pesquisa, o EcoAm já apoiou 17 empreendimentos ligados à bioeconomia e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de programas de aceleração voltados a negócios da sociobiodiversidade.

 

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PESQUISA OUVIU MAIS DE 100 REPRESENTANTES DA AMAZÔNIA

 

O diagnóstico foi construído a partir de mais de 100 entrevistas com lideranças indígenas, empreendedores, cooperativas, universidades, pesquisadores, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Também foram realizados encontros presenciais para ouvir as comunidades e validar os resultados.

 

Segundo o coordenador do programa, Washington Silva, o objetivo foi compreender como a bioeconomia funciona na prática dentro dos territórios amazônicos antes da formulação de investimentos e políticas públicas.

 

"É preciso conhecer quem produz, quais cadeias movimentam a economia local e quais obstáculos ainda limitam o crescimento dessas iniciativas", destacou.

 

TRÊS TERRITÓRIOS REVELAM DIFERENTES REALIDADES

 

O relatório analisou três regiões que representam diferentes contextos da Amazônia.

 

Em Tefé (AM), a bioeconomia está diretamente ligada ao modo de vida das populações ribeirinhas. O manejo sustentável do pirarucu, a farinha de Uarini e o protagonismo de mulheres e jovens aparecem como destaques, enquanto desafios como acesso a mercados e fortalecimento da gestão comunitária permanecem.

 

Em Ji-Paraná (RO), atividades como café amazônico, cacau, castanha, mel e agricultura familiar movimentam pelo menos 25 empreendimentos ligados à bioeconomia. Entre os principais desafios está a permanência dos jovens nas comunidades, diante da falta de oportunidades locais.

 

Já Rio Branco (AC) reúne cerca de 81 startups voltadas à bioeconomia, segundo dados do Sebrae, atuando em áreas como alimentos, cosméticos, biotecnologia e nanotecnologia. O estudo aponta que o desafio é aproximar pesquisa, investimentos, mercado e comunidades tradicionais.

 

CADEIAS PRODUTIVAS E OBSTÁCULOS COMUNS

 

O levantamento identifica diversas cadeias produtivas que já movimentam a economia sustentável da Amazônia, incluindo:

 

cacau e café amazônico;

 

castanha-do-Brasil;

 

manejo do pirarucu;

 

mel e apicultura;

 

horticultura orgânica;

 

polpas de frutas;

 

óleos vegetais;

 

cosméticos naturais;

 

biojoias;

 

turismo de base comunitária;

 

artesanato tradicional.

 

Apesar da diversidade, os três territórios compartilham dificuldades semelhantes, como limitações na infraestrutura, logística, acesso ao crédito, assistência técnica, comercialização e integração de políticas públicas.

 

O relatório destaca que a bioeconomia amazônica vai além da produção de bens, reunindo cultura, empreendedorismo, inovação e conservação ambiental. Para os organizadores, fortalecer essas iniciativas exige reconhecer o papel das comunidades, povos indígenas e organizações locais na construção de soluções para o desenvolvimento sustentável da região.

 

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O estudo reúne mais de 50 páginas com análises, entrevistas e mapeamentos territoriais, oferecendo subsídios para orientar investimentos e futuras políticas públicas voltadas ao fortalecimento da bioeconomia na Amazônia. 

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