De acordo com a nota técnica, o nível do rio deve cair para cerca de 2,2 metros durante a vazante
O Rio Tapajós, um dos mais importantes da Amazônia e fundamental para a navegação e o abastecimento de comunidades no Pará, deve enfrentar uma seca de intensidade moderada em 2025. A previsão é do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), que analisou os registros de 50 anos da estação de monitoramento instalada em Itaituba (PA).
De acordo com a nota técnica, o nível do rio deve cair para cerca de 2,2 metros durante a vazante, período em que a água naturalmente baixa, e atingir o ponto mais crítico na primeira semana de novembro. O relatório destaca que “o cenário mais provável para a vazante de 2025 aponta para uma seca de intensidade moderada, com níveis mínimos previstos entre 215 e 255 cm e um período de estiagem de aproximadamente 30 a 45 dias”.
O alerta do SGB vem um ano depois de o Tapajós registrar a pior seca de sua história. Em 2024, o rio chegou a 83 centímetros de profundidade, o que dificultou o transporte de embarcações, comprometeu o abastecimento de água e afetou populações ribeirinhas. Esse valor foi o mais baixo desde que as medições começaram, em 1974.
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Para este ano, a situação deve ser menos grave. Isso porque o fenômeno climático El Niño, que provoca alterações nas chuvas da Amazônia e esteve muito intenso em 2023 e 2024, agora está em fase neutra. “A neutralidade do ENSO [El Niño-Oscilação Sul] no período anterior favorece a não ocorrência de extremos, tendendo a um comportamento mais próximo da média histórica”, explica o documento.
O relatório também analisa o comportamento do rio ao longo das últimas cinco décadas. Segundo o levantamento, as secas estão se tornando cada vez mais severas. “Foi identificada uma tendência estatisticamente significativa de declínio à taxa de -1,36 cm/ano. Este resultado indica vazantes mais extremas, com as cotas mínimas tornando-se sistematicamente mais baixas ao longo das últimas cinco décadas”, afirma o estudo.

Foto: Reprodução
Em outras palavras, a cada ano o Tapajós atinge níveis ligeiramente menores durante a estiagem, e esse acúmulo, ao longo de décadas, aumenta o risco de secas mais duradouras e intensas.
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Além disso, os pesquisadores notaram que, ao mesmo tempo em que os períodos de seca ficam mais críticos, as cheias também tendem a ser mais intensas. Isso significa que o rio vem apresentando uma maior variação entre os extremos, ou seja, muito cheio em alguns meses, muito baixo em outros, o que dificulta o planejamento para navegação e abastecimento.
Fonte: Revista Cenarium