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Estudo revela que diferentes transtornos mentais podem ter origens genéticas comuns
Foto: Divulgação

Pesquisa publicada na Nature aponta que compreender a biologia das doenças mentais pode transformar diagnósticos e tratamentos psiquiátricos.

Um amplo estudo internacional com dados psiquiátricos e genéticos indica que diversos transtornos mentais, tradicionalmente tratados como doenças distintas, podem compartilhar as mesmas causas biológicas. A descoberta tem potencial para mudar a forma como milhões de pacientes são diagnosticados e tratados, ao sugerir que condições diferentes podem estar ligadas a conjuntos semelhantes de genes.

 

Publicado na revista científica Nature, o estudo questiona as fronteiras rígidas usadas pela psiquiatria para separar transtornos como esquizofrenia e transtorno bipolar. Segundo os pesquisadores, reforçar o foco tradicional no comportamento dos pacientes com uma compreensão mais profunda da base biológica das doenças mentais pode resultar em tratamentos mais eficazes e personalizados.

 

As conclusões também levantam a possibilidade de reduzir o peso de múltiplos diagnósticos atribuídos a um mesmo paciente — prática comum na psiquiatria. Dados anteriores mostram que cerca de metade das pessoas terá algum transtorno psiquiátrico ao longo da vida, e mais da metade dos pacientes recebe dois ou mais diagnósticos. Aproximadamente 15% acabam sendo diagnosticados com quatro ou mais condições diferentes.

 

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“Quando alguém ouve que tem quatro transtornos distintos, isso pode gerar um enorme pessimismo em relação ao tratamento”, explicou Andrew Grotzinger, um dos autores do estudo e professor assistente de psicologia e neurociência da Universidade do Colorado Boulder. Ele compara a situação a um erro médico clássico: tratar sintomas relacionados como doenças separadas, em vez de reconhecer uma causa comum.

 

Para chegar às conclusões, uma equipe internacional de cientistas analisou durante cinco anos os registros de mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas com um entre 14 transtornos psiquiátricos, além de dados de cerca de 5 milhões de indivíduos sem histórico dessas condições.

 

A análise genética revelou que os 14 transtornos se organizam em cinco grandes grupos: transtornos por uso de substâncias; condições internalizantes, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático; transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH; condições compulsivas, incluindo transtorno obsessivo-compulsivo, anorexia nervosa e síndrome de Tourette; e um quinto grupo que reúne transtorno bipolar e esquizofrenia.

 

Um dos achados mais significativos foi a constatação de que o transtorno bipolar e a esquizofrenia compartilham cerca de 70% dos mesmos fatores genéticos. Essa sobreposição ajuda a explicar por que determinados medicamentos, como antidepressivos, podem ser eficazes não apenas para a depressão, mas também para ansiedade e estresse pós-traumático.

 

Os pesquisadores destacam, porém, que os genes não atuam isoladamente. O risco de desenvolver transtornos psiquiátricos também é influenciado por fatores ambientais, como experiências de vida, criação, traumas e níveis de estresse.

 

No total, o estudo identificou 238 variantes genéticas únicas associadas aos 14 transtornos analisados. Muitas dessas variantes estão ligadas à regulação de funções cerebrais específicas. No caso do transtorno bipolar e da esquizofrenia, por exemplo, foi observada uma atividade acima do normal de genes relacionados aos neurônios excitatórios, fundamentais para a transmissão de sinais no cérebro.

 

A equipe também identificou um “ponto crítico” no cromossomo 11, região que concentra genes associados ao aumento do risco genético para oito dos transtornos estudados. Esse cromossomo já é conhecido por abrigar genes relevantes para condições como depressão, autismo, além de alguns tipos de câncer e distúrbios sanguíneos.

 

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Entre os genes destacados está o DRD2, alvo principal de muitos medicamentos antipsicóticos. Ele regula a dopamina, um neurotransmissor essencial para funções como motivação, humor, recompensa, atenção e cognição reforçando a importância da base biológica comum entre diferentes transtornos mentais. 

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