Pesquisadores descreveram o local como um raro refúgio marinho no deserto polar
Conhecidas pela água avermelhada que escorre da Geleira Taylor, na Antártica, as famosas "Cascatas de Sangue" voltaram a chamar a atenção da comunidade científica. Um estudo publicado na revista Nature Geoscience revelou que o local abriga microrganismos descendentes de antigas formas de vida marinha que permaneceram isoladas sob o gelo por centenas de milhares de anos.
A pesquisa, conduzida por cientistas dos Estados Unidos e da Suécia, aponta que a salmoura rica em ferro presente sob a geleira funciona como um ecossistema único, preservando organismos que sobreviveram desde a época em que a região ainda era coberta pelo oceano.
Os pesquisadores identificaram diferentes grupos de microrganismos típicos de ambientes marinhos, como diatomáceas, dinoflagelados, haptofitas e ciliados. Mesmo vivendo em condições extremas, com temperaturas muito baixas e alta concentração de sal, muitos deles continuam biologicamente ativos.
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A análise genética mostrou que esses organismos ainda realizam funções essenciais, como fotossíntese, reparo celular e mecanismos de adaptação ao frio intenso. Algumas espécies também conseguem entrar em estado de dormência até que as condições ambientais se tornem mais favoráveis.
Segundo os autores do estudo, a descoberta representa a evidência mais consistente até agora de que a água presente sob a Geleira Taylor teve origem no mar antes de ficar isolada pelo avanço da camada de gelo.
Apesar do nome, a coloração das "Cascatas de Sangue" não está relacionada à presença de sangue. O fenômeno ocorre porque a água subterrânea contém grande quantidade de ferro dissolvido. Quando esse material entra em contato com o oxigênio da atmosfera, sofre oxidação, formando a característica coloração vermelho-intensa.
Há décadas os cientistas acreditavam que essa água era, originalmente, água do mar aprisionada sob a geleira. A nova pesquisa fortalece essa hipótese ao encontrar organismos tipicamente marinhos vivendo no local.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram 167 amostras de água, sedimentos, gelo e ar coletadas nos Vales Secos de McMurdo e em áreas próximas da Antártica.
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Cascatas de Sangue' da Antártica abrigam descendentes
de antigas criaturas marinhas, diz estudo
(Foto: Reprodução)
O sequenciamento de DNA revelou milhares de microrganismos diferentes. Cerca de 9,3% das espécies identificadas nas "Cascatas de Sangue" também estavam presentes em amostras do oceano, proporção muito superior à encontrada em outras regiões dos Vales Secos.
Os cientistas afirmam que esse resultado dificilmente pode ser explicado apenas pelo transporte de microrganismos pelo vento, reforçando a origem marinha do ecossistema.
Além de esclarecer a origem das "Cascatas de Sangue", o estudo pode contribuir para entender como formas de vida conseguem sobreviver em ambientes extremos durante longos períodos.
Os pesquisadores acreditam que esses ecossistemas preservados sob o gelo podem fornecer informações importantes sobre a evolução da Antártica, a história do clima da Terra e até servir como modelo para a busca por vida em outros planetas e luas cobertas por gelo.
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Embora seja um dos fenômenos naturais mais curiosos da Antártica, o acesso às "Cascatas de Sangue" é bastante restrito. A região faz parte dos Vales Secos de McMurdo e normalmente só é visitada por pesquisadores. Expedições turísticas especializadas podem realizar sobrevoos ou visitas limitadas, mas a logística é complexa e os custos são elevados.
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