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Estudo revela que mosca-da-fruta possui espermatozoides gigantes e intriga cientistas
Foto: Divulgação

Pesquisa mostra como o inseto armazena gametas até 40 vezes maiores que os humanos, revelando uma estratégia inédita de reprodução.

Uma descoberta científica chamou a atenção da comunidade acadêmica ao revelar que a mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) possui espermatozoides proporcionalmente gigantes, chegando a medir cerca de 2 milímetros, aproximadamente 40 vezes maiores que os espermatozoides humanos. O estudo foi publicado na revista científica Nature Physics.

 

Embora o inseto tenha apenas entre 3 e 4 milímetros de comprimento, seus gametas masculinos alcançam quase dois terços do tamanho do próprio corpo. Para efeito de comparação, o espermatozoide humano mede, em média, 0,06 milímetro (60 micrômetros) e só pode ser observado com auxílio de microscópio.

 

Os pesquisadores descobriram que a espécie consegue armazenar esses espermatozoides gigantes graças a um sofisticado sistema de compactação dentro da vesícula seminal, órgão responsável pelo armazenamento dos gametas e que mede cerca de 0,2 milímetro.

 

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Como os espermatozoides são muito maiores que o próprio órgão, eles permanecem organizados em grupos extremamente compactos. Essa disposição impede que suas longas caudas se enrolem umas nas outras, permitindo que se movimentem de forma coordenada e eficiente, aumentando as chances de sucesso na reprodução.

 

Para compreender esse mecanismo, a equipe utilizou substâncias fluorescentes aplicadas nas cabeças e caudas dos espermatozoides e realizou análises com um microscópio eletrônico tridimensional de alta resolução. As imagens mostraram que, enquanto as cabeças se deslocam rapidamente, as caudas se movimentam em conjunto de maneira mais lenta e sincronizada.

 

A coautora do estudo, a bióloga computacional Jasmin Imran Alsou, comparou o fenômeno à organização de milhares de fones de ouvido guardados em um bolso sem que seus fios se embaracem, destacando que, no caso dos espermatozoides, o desafio é ainda maior porque eles permanecem em constante movimento.

 

Os cientistas ressaltam que mecanismos de compactação também existem no corpo humano. Um exemplo é o DNA, que, se esticado, mede cerca de dois metros, mas permanece armazenado dentro do núcleo de uma única célula. Outro caso é o intestino humano, que possui aproximadamente nove metros de comprimento e fica acomodado no interior do abdômen.

 

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Segundo os autores, compreender como estruturas tão grandes conseguem ser organizadas em espaços reduzidos pode contribuir para novas pesquisas nas áreas de biologia, engenharia de materiais e medicina, além de ampliar o conhecimento sobre as estratégias evolutivas de reprodução das espécies. 

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