Registro inédito indica que onças-pintadas emitem sons suaves para interagir com a prole e reforça a importância do monitoramento de longo prazo na Mata Atlântica
Uma descoberta recente tem surpreendido cientistas ao mostrar que as onças-pintadas podem emitir sons semelhantes a miados para se comunicar com seus filhotes. O comportamento, considerado inédito, foi registrado por pesquisadores durante monitoramento no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.
Diferente dos esturros — vocalizações graves típicas dos grandes felinos — esses sons são mais suaves, curtos e delicados, lembrando o miado de gatos domésticos. A comunicação ocorre principalmente entre mães e filhotes, indicando uma espécie de “linguagem materna” até então desconhecida para animais do gênero Panthera, que inclui também leões e tigres.
Os registros foram possíveis graças a anos de pesquisa com câmeras e equipamentos de monitoramento instalados na mata. As imagens mostram fêmeas chamando seus filhotes, que em alguns casos respondem com sons semelhantes, facilitando o reencontro em meio à floresta.
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Especialistas explicam que esse tipo de vocalização pode ter papel importante na sobrevivência dos filhotes. Como eles ainda não conseguem emitir sons mais fortes, as mães adaptam a comunicação para algo mais compatível. Além disso, o miado é mais discreto, evitando atrair predadores ou machos adultos, que podem representar risco.
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A descoberta também indica que as onças possuem um repertório vocal mais complexo do que se imaginava, abrindo novas possibilidades de estudo sobre o comportamento desses animais. Para os pesquisadores, compreender melhor essa comunicação ajuda não só no conhecimento científico, mas também na conservação da espécie, considerada essencial para o equilíbrio dos ecossistemas onde vive.