Pesquisa mostra que treino aeróbico e estratégias para estimular a movimentação tiveram impactos semelhantes em adultos com asma
Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostrou que reduzir o sedentarismo no dia a dia pode ser tão eficaz quanto seguir uma rotina de exercícios supervisionados para melhorar o controle da asma em adultos com casos moderados a graves.
A pesquisa, publicada em junho na revista científica Pulmonology, acompanhou 52 adultos entre 18 e 65 anos que tinham asma mal controlada, mesmo utilizando medicamentos, e levavam uma vida sedentária. O trabalho foi desenvolvido no Hospital das Clínicas da FMUSP com financiamento da Fapesp e do CNPq.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles realizou treinamento em esteira ergométrica durante 45 minutos, duas vezes por semana, com intensidade definida por testes físicos. O outro recebeu uma pulseira inteligente que alertava quando a pessoa permanecia muito tempo parada ou quando atingia a meta diária de passos, além de orientações para mudar hábitos.
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Após oito semanas, os dois grupos apresentaram melhora semelhante no controle da doença, com avanços também na qualidade de vida, redução de sintomas de ansiedade e depressão e aumento da produtividade no trabalho.
O resultado mais surpreendente apareceu quatro meses depois do fim da intervenção. Enquanto os benefícios do grupo que fez exercícios supervisionados diminuíram com o tempo, os participantes que apenas incorporaram mais movimento à rotina mantiveram os ganhos praticamente estáveis.
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Segundo os pesquisadores, isso pode acontecer porque pequenas mudanças de comportamento, como caminhar mais, subir escadas e evitar longos períodos sentado, acabam se tornando parte da rotina do paciente, enquanto os benefícios de treinos estruturados dependem da continuidade dos exercícios.
O estudo também apontou que pessoas com obesidade tiveram menor resposta à estratégia de aumentar os passos diários. Especialistas explicam que o excesso de peso pode dificultar a respiração e reduzir a disposição para atividades físicas, criando um ciclo que prejudica o controle da asma.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores reforçam que a prática de atividades físicas e a redução do sedentarismo não substituem o tratamento com medicamentos. As mudanças de hábitos devem ser utilizadas como complemento ao acompanhamento médico para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.