Os EUA capturaram um navio petroleiro na costa da Venezuela nesta quarta-feira, confirmou o presidente Donald Trump, em meio à crescente pressão exercida sobre o governo de Nicolás Maduro nas últimas semanas, que incluem ameaças de um ataque terrestre. A embarcação, afirma a agência Bloomberg, estaria em uma lista de sanções do governo americano, mas não foi revelado quem a estava operando.
— Como vocês provavelmente sabem, acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela — disse Trump a jornalistas no Salão Oval. — Um grande petroleiro, muito grande, o maior já apreendido, na verdade. Ele não quis dar detalhes sobre a abordagem, sobre a rota da embarcação ou mesmo seu nome.
— Foi apreendida por um motivo muito válido — respondeu o presidente aos jornalistas. De acordo com um membro do governo dos EUA, citado pela Bloomberg, a abordagem foi "uma ação de aplicação da lei em uma embarcação sem Estado", que recentemente aportou na Venezuela.
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A estatal venezuelana do petróleo, a PDVSA, não se pronunciou, assim como as autoridades em Caracas. De acordo com a agência Reuters, a operação foi conduzida pela Guarda Costeira, e a embarcação apreendida seria o petroleiro Skipper, incluído na lista de sanções dos Estados Unidos por seu envolvimento no transporte de petróleo do Irã, quando operava sob o nome de Adisa.
A captura ocorre em meio à maior operação militar dos EUA no Caribe em décadas, oficialmente para combater a ação dos carteis do tráfico na região e suprimir o envio de drogas para o mercado americano, mas apontada pelo regime de Nicolás Maduro como um plano para retirá-lo do poder. Maduro, acusado de ser chefe da organização intitulada Cartel de los Soles, tem uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura, e Trump recentemente disse que "seus dias estão contados".
Hoje há cerca de 15 mil militares americanos na área, além de navios de guerra, aeronaves de combate e o maior porta-aviões dos EUA, o Gerald Ford. Além da pressão sobre Caracas, 22 embarcações acusadas de trasportar drogas para os cartéis do tráfico da região foram destruídas desde setembro, deixando mais de 80 mortos.
O republicano também sugeriu, em várias ocasiões, que poderia iniciar uma operação terrestre na Venezuela, algo que acendeu alertas não apenas em Caracas, mas também no Congresso americano, onde parlamentares dos dois partidos se posicionaram contra uma nova guerra ou uma operação de grande porte na América Latina. Na semana passada, a Casa Branca divulgou a nova estratégia de segurança nacional dos EUA, que deu grande ênfase à região e resgatou conceitos da Doutrina Monroe, que no passado justificou uma série de ações militares em países latinos.
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta, mas produz menos de um milhão de barris por dia — especialistas dizem que o potencial de produção pode ser de até 5 milhões de barris diários em uma década, mas que isso dependeria de um investimento de US$ 100 bilhões. O principal comprador é a China, mas o transporte do produto ocorre em boa parte através de "navios fantasma", usados para burlar controles internacionais de sanções e embargos.
Uma empresa americana, a Chevron, possui uma licença especial do Departamento do Tesouro para explorar alguns poços em parceria com a PDVSA. Nesta quarta-feira, o CEO da empresa, Mike Wirth, disse que está em negociações para ampliar o prazo da licença, mesmo diante das turbulências entre Washington e Caracas.
— Operamos lá em total conformidade com todas as leis e sanções dos EUA — disse à Bloomberg TV. — Estamos em negociações com o governo para garantir que continuemos em conformidade e que eles entendam o valor que nossa presença traz para os Estados Unidos.
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A apreensão deve acirrar o discurso de Maduro contra os EUA, e dar força a seus argumentos públicos de que um dos objetivos de Trump ao ameaçar seu país é controlar suas reservas de petróleo. Contudo, como revelou em outubro o New York Times, representantes do governo venezuelano ofereceram à Casa Branca acesso preferencial às suas reservas de petróleo e minerais, incluindo ouro, em troca do fim da pressão econômica e militar. A Casa Branca negou a proposta.
Fonte: O Globo