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EUA avaliam classificar PCC e CV como terroristas em meio a pressão política e tensão com o Brasil
Foto: Divulgação

Discussão em Washington gera reação do governo Lula, que vê risco à soberania e rejeita enquadramento das facções como terrorismo

O governo dos Estados Unidos avalia classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas, em um movimento que tem gerado forte repercussão diplomática e política. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times e ocorre em meio a pressões de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas.

 

Segundo a publicação, o tema vem sendo discutido internamente pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, com base na avaliação de que as duas maiores organizações criminosas do Brasil representam ameaça relevante à segurança regional, sobretudo por sua atuação no tráfico internacional de drogas e em redes transnacionais de crime.

 

A articulação política inclui interlocução de membros da família Bolsonaro com autoridades dos EUA. O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, viajou recentemente ao país para participar da Conferência de Ação Política Conservadora, realizada em Dallas, onde o tema também ganhou espaço nos bastidores.

 

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DEBATE EM WASHINGTON E CAUTELA OFICIAL

 

Apesar das discussões em curso, o governo norte-americano ainda não anunciou oficialmente qualquer decisão. O Departamento de Estado tem evitado confirmar publicamente a classificação, mas já declarou que PCC e CV são “ameaças significativas” à segurança regional.

 

Caso a medida avance, ela pode abrir caminho para sanções internacionais mais duras, bloqueio de ativos e ampliação da cooperação em seguranç além de permitir ações mais agressivas no combate a essas organizações fora do território americano.

 

REAÇÃO DO GOVERNO BRASILEIRO

 

A possível classificação enfrenta resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que argumenta não haver base legal para enquadrar as facções como terroristas dentro da legislação brasileira. Para o Brasil, PCC e CV são organizações criminosas com motivação econômica, e não ideológica critério central para a tipificação de terrorismo.

 

O tema foi tratado diretamente entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante encontros diplomáticos recentes.

 

Nos bastidores, o Itamaraty tem atuado para tentar barrar a medida, avaliando que a classificação pode representar riscos à soberania nacional e abrir precedentes para intervenções externas sob o argumento de combate ao terrorismo.

 

ESTRATÉGIA MAIS AMPLA DOS EUA

 

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da gestão de Donald Trump de ampliar o combate ao crime organizado na América Latina, utilizando instrumentos jurídicos voltados ao terrorismo internacional.

 

Especialistas apontam que esse tipo de enquadramento permite aos EUA adotar medidas mais rígidas contra grupos estrangeiros, incluindo sanções financeiras e ações de inteligência mais robustas. Por outro lado, há críticas quanto ao risco de politização do conceito de terrorismo e possíveis impactos nas relações diplomáticas com países da região.

 

Até o momento, não há decisão formal sobre a inclusão de PCC e CV na lista de organizações terroristas. O tema segue em análise em Washington e em negociação diplomática com o Brasil.

 

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Enquanto isso, o governo brasileiro sinaliza disposição para ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas mantém posição firme contra a classificação das facções como grupos terroristas ponto que deve continuar no centro das tensões entre os dois países. 

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