Donald Trump e Xi Jinping
Autoridades dos Estados Unidos e da China iniciaram neste domingo negociações em Nova York para preparar o terreno para uma aguardada cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, enquanto as duas maiores economias do mundo buscam manter — e, potencialmente, ampliar — uma frágil trégua comercial.
Os negociadores, liderados pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, devem discutir questões que envolvem comércio e investimentos, inteligência artificial e a guerra no Irã.
Pouco depois das 10h, no horário de Nova York, (11h no Brasil) He, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e Li Chenggang, negociador de comércio internacional da China, entraram nos escritórios do JPMorgan Chase & Co., em Midtown Manhattan, onde as negociações estão sendo realizadas.
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Ao chegar, pouco depois das 10h30, Bessent disse aos jornalistas que espera um diálogo construtivo entre os dois países.
Bessent e He se reuniram pessoalmente pela última vez nos arredores de Seul, cerca de quatro meses atrás, poucos dias antes de Trump visitar Pequim, em maio. Na quinta-feira, Trump receberá Xi na Casa Branca, na primeira visita de Estado do líder chinês a Washington em mais de uma década.
No topo da agenda está uma trégua comercial que levou os dois lados a reduzir tarifas e restrições às exportações, e que deve expirar em novembro.
O anúncio de novas tarifas americanas sobre as alegações de excesso de capacidade de produção por parte de parceiros comerciais foi adiado para depois da reunião, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Os EUA e a China vêm trabalhando para reduzir tarifas sobre produtos americanos de energia e agrícolas, informou a Bloomberg anteriormente. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para reduzir barreiras sobre US$ 30 bilhões em produtos de cada lado, por meio do mecanismo Board of Trade, lançado no início deste ano.
Desde o último encontro entre os dois líderes, em maio, a inteligência artificial surgiu como um novo ponto de tensão entre EUA e China.
Autoridades do governo Trump, agências de segurança americanas e gigantes do setor de IA do Vale do Silício acusaram empresas chinesas de extrair sistematicamente conhecimento de modelos americanos para desenvolver seus próprios produtos, que vêm reduzindo rapidamente a distância em relação aos modelos mais avançados dos EUA.
Pequim rejeitou as acusações, classificando-as como infundadas, e prometeu retaliar caso Washington avance contra empresas chinesas de inteligência artificial.
Autoridades chinesas também reagiram às pressões de líderes de tecnologia americanos para desacelerar o desenvolvimento da IA em nome da segurança. O Ministério das Relações Exteriores da China classificou essas iniciativas como “alarmismo”.
Bessent, que recentemente alertou que “não haverá dia seguinte” caso a China vença a corrida pela IA, disse em uma declaração à Axios na semana passada que “estamos abertos a discussões sobre como evitar riscos compartilhados e impedir uma bifurcação de nossos dois sistemas”.
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Michael Kratsios, assessor de Trump para ciência e tecnologia na Casa Branca, disse ao programa Fox News Sunday que “a principal coisa que queremos discutir com eles é como evitar riscos compartilhados, e isso é algo sobre o qual acredito que podemos ter uma conversa produtiva”.