Delegações de Ucrânia e EUA se preparam para o terceiro dia de reuniões em Miami neste sábado, para negociar os termos de um possível acordo de paz com a Rússia. A nova rodada acontece em meio à continuidade do conflito no Leste Europeu, com Moscou disparando mais um ataque aéreo massivo, com mais de 600 mísseis e drones, contra o território ucraniano entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. No campo diplomático, Kiev e Washington afirmam que as negociações estão evoluindo, mas que dependem de um compromisso da parte russa.
A equipe americana será liderada neste sábado pelo principal negociador do presidente Donald Trump, o enviado especial Steve Witkoff, e contará também com a participação de Jared Kushner, conselheiro e genro do republicano. A delegação ucraniana é chefiada pelo secretário de Segurança Nacional, Rustem Umerov. Em um comunicado conjunto divulgado na sexta-feira, as duas delegações fizeram acenos positivos sobre o andamento das conversas, mas cobraram um engajamento maior do lado russo.
"Ambas as partes concordamos que qualquer avanço real em direção a um acordo depende de que a Rússia demonstre um compromisso sério com uma paz duradoura, incluindo passos para a desescalada e o fim das matanças", diz uma mensagem publicada na sexta-feira na conta pessoal de Witkoff no X, enquanto um comunicado do Departamento de Estado americano indicou que ficou definido "o marco dos acordos de segurança (...) e as capacidades de dissuasão necessárias para manter uma paz duradoura".
Veja também

EUA afirmam predomínio na América Latina em recado à China
Sob influência de Trump, Fifa cria 'prêmio da paz' e o entrega a presidente dos EUA
Washington vem tentando há semanas que Kiev e Moscou aceitem um plano para encerrar a guerra, embora um primeiro esboço tenha sido amplamente criticado por ser considerado excessivamente pró-Rússia. O texto inicial abriu uma crise entre os aliados, opondo os EUA de um lado e os europeus e a Ucrânia de outro.
As tentativas de emendar o plano inicial — reduzido a termo em conversas diretas envolvendo apenas EUA e Rússia — tornaram incertas as chances do acordo progredir. Embora o líder russo, Vladimir Putin, tenha recebido os negociadores ucranianos nesta semana, Moscou mostrou resistência em ceder em pontos que ainda são controversos, como a cessão de territórios pela Ucrânia. Enquanto isso, parece ter dobrado a aposta no campo de batalha - uma estratégia de pressão que a Rússia tem adotado sistematicamente.
Antes da reunião entre EUA e Ucrânia neste sábado, a Rússia lançou 653 drones e 51 mísseis contra diferentes partes do território ucraniano, incluindo Kiev, Chernihiv, Zaporizhzhia, Lviv e Dnipro, o que provocou danos a infraestruturas civis, incluindo da rede energética — sob extrema pressão com a chegada do inverno no Hemisfério Norte.
Analistas afirmam que Putin ordenou ao Exército russo que se prepare para o combate no inverno, sinalizando após as conversas com autoridades dos EUA que não pretende ceder em suas exigências rígidas. Nas últimas semanas, as forças russas avançaram em várias frentes, e estão na iminência de conquistar a cidade estratégica de Pokrovsk, antigo centro logístico na região oriental de Donetsk, e quase cercaram a cidade vizinha de Myrnohrad. Avanços rápidos na linha-de-frente também acontecem na região sul de Zaporizhzhia e ao redor da cidade oriental de Siversk.
As forças de Moscou capturaram 505 km² de território em novembro, em comparação com 267 km² em outubro, de acordo com o mapa de batalha mantido pelo DeepState, grupo ucraniano ligado aos militares.
— O futuro parece muito, muito sombrio para a Ucrânia — disse Emil Kastehelmi, analista militar do grupo finlandês Black Bird. —Eu não vejo um caminho claro para sair disso.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Não está claro até que ponto as negociações deste sábado podem avançar. Em seu comunicado, o Departamento de Estado americano afirma que os participantes discutiram na sexta os "resultados" da reunião em Moscou, e que Umerov reafirmou que a prioridade da Ucrânia era alcançar um acordo "que proteja sua independência e soberania" — após a reunião na capital russa, o Kremlin afirmou que houve avanços, mas que ainda restava "muito trabalho" para chegar a uma solução.
Fonte:O Globo