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EUA realizam ataques contra ilha iraniana em meio a negociações para encerrar conflito
Foto: Reprodução

Ataque acontece em meio a expectativas de acordo e pressões políticas sobre Trump diante das eleições de meio de mandato

Os Estados Unidos realizaram, nesta terça-feira (3), ataques contra a ilha iraniana de Qeshm, localizada no sul do Estreito de Ormuz. Segundo a imprensa do Irã, os bombardeios provocaram cinco explosões. Autoridades americanas, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que a operação teve caráter defensivo.

 

Os ataques ocorreram poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que há avanços diplomáticos nas negociações com Teerã. Até o momento, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio, não havia se pronunciado sobre a ofensiva.

 

De acordo com o Wall Street Journal, a ação faz parte de uma série de operações não anunciadas realizadas por Washington contra alvos iranianos nos últimos meses. A estratégia teria como objetivo evitar a impressão de que os Estados Unidos estão retomando uma campanha militar de grande escala contra o Irã.

 

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O conflito, iniciado no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel, permanece em um impasse há cerca de oito meses. Apesar das ofensivas, as negociações diplomáticas continuam, enquanto os dois lados mantêm ameaças e declarações de preparação para novos confrontos.

 

Na segunda-feira (2), Trump afirmou, em publicação na rede Truth Social, que o Irã deseja chegar a um acordo rapidamente. As declarações ocorreram em meio ao aumento das expectativas de avanço nas negociações. No mesmo dia, os preços internacionais do petróleo recuaram mais de 7%.

 

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, confirmou que há contatos indiretos para tentar encerrar o conflito. Já o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador nas conversas, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país está preparado para uma guerra.

 

O vice-presidente americano, JD Vance, também afirmou que ele e Trump estão otimistas quanto à possibilidade de um acordo. Segundo o portal Axios, fontes dos governos americano e israelense disseram que Trump pretende manter as negociações abertas, apesar de divergências sobre a possibilidade de uma nova ofensiva.

 

O porta-voz do governo iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã estaria disposto a reabrir o Estreito de Ormuz por dois dias, caso Washington aceitasse uma lista de exigências. Entre as condições apresentadas anteriormente pelo Irã estão o fim da guerra, o descongelamento de ativos iranianos, a suspensão das sanções ao petróleo e o encerramento do bloqueio americano aos portos do país.

 

Apesar das conversas, as ameaças continuam. No sábado, Trump afirmou que ainda precisava se ocupar de uma ou duas instalações nucleares iranianas. Questionado sobre um possível envolvimento de Israel nos ataques desta terça-feira, um porta-voz das Forças Armadas israelenses respondeu à agência AFP que não.

 

Teerã também voltou a alertar que poderá retaliar caso os Estados Unidos retomem uma campanha militar de maior escala. Nos últimos dias, autoridades iranianas instalaram em Teerã um painel com a imagem de Trump e uma mensagem ameaçadora direcionada ao presidente americano.

 

No campo diplomático, a China realizou reuniões com representantes do Irã e da Arábia Saudita, em Pequim. Segundo comunicado oficial, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, reafirmou o apoio de seu país à defesa da soberania e da segurança iranianas.

 

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Em entrevista à Al Jazeera, Araghchi afirmou que os Estados Unidos devem aceitar uma nova rota, negociada entre Irã e Omã, para o trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para a exportação de petróleo e gás da região.

 

 

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