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EUA reforçam influência no Hemisfério Ocidental e retomam discurso da Doutrina Monroe
Foto: Divulgação

Departamento de Estado resgata histórico da política criada em 1823 e destaca estratégia de Washington diante da disputa por influência nas Américas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11) um vídeo de pouco mais de cinco minutos sobre a Doutrina Monroe e afirmou que a predominância norte-americana no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”.

 

A publicação revisita a origem da doutrina, apresentada pelo então presidente James Monroe ao Congresso dos Estados Unidos em 1823. Naquele período, a política defendia que potências europeias não deveriam promover novas colonizações ou ampliar sua influência política sobre países do continente americano.

 

Ao longo do vídeo, o governo americano relembra diferentes momentos em que a Doutrina Monroe foi utilizada como justificativa para a atuação dos Estados Unidos na região. Entre os episódios citados estão a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e as políticas adotadas durante o governo Ronald Reagan contra grupos de esquerda apoiados pela União Soviética na América Latina.

 

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Na parte dedicada ao cenário atual, a publicação cita a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro durante a Operação Absolute Resolve, realizada em janeiro deste ano. A ação foi conduzida por forças americanas e terminou com a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

 

O material também apresenta a atual estratégia americana como uma adaptação da lógica histórica da Doutrina Monroe às disputas geopolíticas contemporâneas.

 

A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos estabelece que Washington deve evitar que potências de fora do Hemisfério Ocidental ampliem sua presença ou assumam o controle de ativos considerados estratégicos na região.

 

A política também está relacionada a temas como combate ao tráfico de drogas, imigração irregular e atuação de organizações criminosas transnacionais.

 

Em junho, uma autoridade do Departamento de Estado afirmou ao Congresso que o governo Trump havia recolocado o Hemisfério Ocidental no centro da política externa dos Estados Unidos e reiterado que a predominância americana na região não deveria ser contestada.

 

DOUTRINA MONROE GANHOU NOVO SIGNIFICADO AO LONGO DOS ANOS

 

A Doutrina Monroe foi formulada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam consolidando sua posição como potência internacional.

 

O princípio original buscava impedir novas intervenções e projetos de colonização europeus nas Américas. Décadas depois, em 1904, o presidente Theodore Roosevelt ampliou essa interpretação por meio do chamado Corolário Roosevelt, que defendia a possibilidade de intervenções americanas em países latino-americanos diante de situações consideradas ameaças à estabilidade regional.

 

A atual política de Washington recupera parte dessa lógica histórica, mas a relaciona às disputas estratégicas do século XXI, especialmente à crescente presença de outras potências na América Latina.

 

DISPUTA ENTRE EUA E CHINA AUMENTA TENSÃO NA REGIÃO

 

A divulgação do vídeo ocorre em meio à intensificação da disputa entre Estados Unidos e China pela influência econômica e estratégica na América Latina.

 

Um dos episódios recentes envolve a Organização Mundial do Comércio (OMC). A China solicitou participação nas consultas abertas após iniciativa do Brasil contra tarifas impostas pelos Estados Unidos.

 

O governo brasileiro acionou formalmente a OMC para contestar as medidas comerciais americanas. As consultas representam a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da organização e têm como objetivo buscar um entendimento entre os países antes de uma eventual abertura de painel.

 

A participação chinesa acrescenta um componente geopolítico à disputa, já que a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e acompanha os impactos das medidas americanas sobre o comércio internacional.

 

As relações entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil também atravessam um período de tensão. Washington adotou medidas comerciais e diplomáticas contra o país, enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva critica o que considera interferência americana em questões internas brasileiras.

 

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Nesse cenário, a retomada do discurso relacionado à Doutrina Monroe reforça a posição de Washington de que o Hemisfério Ocidental permanece como uma área prioritária de interesse estratégico dos Estados Unidos. 

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