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EUA voltam a criticar Pix, e Alckmin fala em 'esclarecer' tema ao governo Trump
Foto: Reprodução

Relatório americano aponta sistema de pagamentos e regras sobre big techs como barreiras; vice-presidente defende modelo brasileiro e aposta no diálogo

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro pretende “prestar todos os esclarecimentos” aos Estados Unidos após novas críticas ao Pix e a políticas digitais do país. A declaração ocorre depois de o governo de Donald Trump voltar a questionar medidas brasileiras em um relatório comercial divulgado nesta semana. O documento, elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), retoma pontos de investigações abertas contra o Brasil e aponta possíveis barreiras a empresas americanas.

 

Entre os alvos está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Segundo o relatório, haveria um possível “tratamento preferencial” ao modelo, o que poderia prejudicar companhias estrangeiras do setor financeiro. Em resposta, Alckmin defendeu o sistema brasileiro.

 

— O Pix é um sucesso, você tem uma coisa que o mundo inteiro hoje acompanha, observa custo zero para o contribuinte. Para o consumidor e utilizando os meios digitais de forma impressionante, ou seja, apertou ali e já está feito o depósito. Não vejo nenhum problema em relação ao Pix. É só esclarecer —disse.

 

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O documento americano também critica medidas regulatórias voltadas às grandes empresas de tecnologia. Sobre esse ponto, o vice-presidente afirmou que a atuação do Brasil foi limitada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

 

PRESSÕES COMERCIAIS E SEÇÃO 301


As críticas fazem parte de um relatório anual que lista o que os EUA consideram barreiras comerciais em outros países. O texto retoma discussões iniciadas no ano passado, quando Washington abriu investigação contra o Brasil com base na chamada Seção 301 — instrumento que pode levar à imposição de sanções.

 

O relatório também menciona tarifas consideradas elevadas em diversos setores, como indústria, tecnologia e têxteis, além de citar problemas relacionados à pirataria. A região da Rua 25 de Março, em São Paulo, é apontada como um dos polos de comércio de produtos falsificados.

 

Apesar do tom crítico do documento, Alckmin buscou reduzir a tensão e reforçou a estratégia de negociação com os Estados Unidos.

 

— Prestar todos os esclarecimentos, é o dialogo. O Brasil (vai) prestar todos os esclarecimentos, esse é o caminho — afirmou.

 

O vice-presidente também destacou que as tarifas brasileiras são, em média, baixas — cerca de 2,7% — e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança de serviços com o Brasil, além de posição relevante no comércio bilateral.

 

Segundo ele, o objetivo do governo é ampliar as relações econômicas, explorando a complementaridade entre as duas economias e incentivando mais investimentos.

 

Alckmin ressaltou ainda que Brasil e Estados Unidos mantêm uma parceria histórica, com cerca de 200 anos de relações comerciais, e defendeu o aprofundamento da cooperação em áreas estratégicas.

 

Para o governo brasileiro, a prioridade agora é evitar uma escalada nas tensões comerciais e responder tecnicamente às críticas apresentadas pelos americanos, mantendo abertas as negociações

 

DIESEL PREOCUPA E GOVERNO TENTA CONTER IMPACTO DA GUERRA


Alckmin também afirmou que o principal foco do governo neste momento é evitar problemas no abastecimento de diesel e reduzir os impactos da alta internacional dos preços, em meio às tensões geopolíticas.

 

Segundo ele, a prioridade é garantir o fornecimento do combustível e minimizar os efeitos sobre a economia.

 

— O que mais preocupa é o diesel e a primeira tarefa é garantir abastecimento. A outra é minimizar os efeitos da guerra — disse.

 

Alckmin destacou que o aumento do preço do diesel tem impacto direto no custo do transporte e da logística, o que acaba pressionando a inflação e o bolso do consumidor.

 

Para tentar conter a alta, o governo adotou medidas como a redução de tributos federais e a concessão de subsídios ao combustível. Além disso, negocia com os estados a redução do ICMS, com divisão de custos entre União e governos regionais.

 

De acordo com o vice-presidente, a adesão dos estados à proposta é majoritária. Ele ressaltou que, diferentemente de iniciativas anteriores, a estratégia atual busca acordo com os estados para evitar disputas judiciais e garantir maior efetividade das medidas.

 

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O vice-presidente também indicou que o governo segue dialogando com distribuidoras para viabilizar a implementação das ações e reduzir incertezas sobre a metodologia dos subsídios. 

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