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Ex-deputado é condenado pelo Tribunal do Reino Unido por aceitar subornos para promover narrativa pró-Rússia
Foto: Reprodução

Prisão de Nathan Gill aumenta pressão sobre Nigel Farage para investigar possíveis vínculos pró-Kremlin dentro do partido

O ex-líder do Reform UK no País de Gales, Nathan Gill, foi condenado a 10 anos e meio de prisão por aceitar subornos para fazer declarações favoráveis ao Kremlin enquanto atuava como eurodeputado. A sentença, proferida nesta sexta-feira no tribunal de Old Bailey, em Londres, lança uma sombra sobre o partido liderado por Nigel Farage e reacende alertas sobre tentativas russas de influenciar a política britânica.

 

Segundo o jornal britânico Guardian, Gill recebeu ao menos £30 mil (mais de R$ 180 mil, na cotação atual) de Oleg Voloshyn, ex-parlamentar ucraniano e suposto agente russo, atualmente foragido em Moscou. Em troca, o político britânico fez pronunciamentos no Parlamento Europeu e deu entrevistas a um canal de TV ucraniano pró-Rússia, alinhado a Viktor Medvedchuk, aliado de Vladimir Putin.

 

Gill, de 52 anos, declarou-se culpado de oito acusações de suborno, cometidas entre dezembro de 2018 e julho de 2019. A polícia afirma que as declarações do ex-líder do Reform foram cuidadosamente elaboradas para reforçar a narrativa do Kremlin sobre a Ucrânia na fase prévia à invasão russa de 2022.

 

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Após a condenação, o ministro da Defesa britânico, Al Carns, exigiu que Nigel Farage autorize uma investigação independente dentro do Reform UK para garantir que qualquer vínculo pró-Rússia remanescente seja erradicado.

 

— Farage deve iniciar urgentemente uma investigação completa sobre membros, doadores e representantes do Reform UK. Ele não deve deixar pedra sobre pedra — afirmou Carns.

 

O partido descreveu as ações de Gill como “repreensíveis, traidoras e imperdoáveis”, afirmando apoiar a sentença. Ainda assim, líderes de oposição alertam que o caso mina a credibilidade da legenda às vésperas de um intenso ano eleitoral.

 

'GRAVE TRAIÇÃO À CONFIANÇA PÚBLICA'


Ao condenar Gill, a juíza Cheema-Grubb afirmou que ele havia traído a confiança depositada nele pelo público ao aceitar subornos.

 

— Permitir que o dinheiro corrompa sua bússola moral constitui uma grave traição à confiança depositada em você pelo eleitorado — afirmou a magistrada.

 

A investigação revelou que Gill também agiu como intermediário, recrutando outros eurodeputados para conceder entrevistas pagas e fazer declarações de interesse russo. Não há, porém, evidências de que Farage estivesse envolvido.

 

Mensagens de WhatsApp recuperadas pela polícia mostram conversas codificadas entre Gill e Voloshyn envolvendo “presentes de Natal” e pagamentos combinados — em uma delas, o político ucraniano escreve: “Vou te dar cinco mil”.

 

Gill foi preso em setembro de 2021 no aeroporto de Manchester. Ele pretendia viajar para a Rússia para atuar como “observador” nas eleições legislativas da Duma, segundo a polícia. Investigadores encontraram €5 mil (cerca de R$ 30 mil) em dinheiro na casa dele, além de dólares e registros de pagamentos anteriores.

 

CASO INÉDITO NO REINO UNIDO


Para o comando antiterrorismo da Polícia Metropolitana, trata-se de um caso sem precedentes no país. O chefe da unidade, Dominic Murphy, afirmou que o episódio levanta preocupações sérias sobre tentativas russas de interferência política.

 

— O que vimos levanta questões. A Rússia representa um desafio particular.

 

Voloshyn, foragido, negou em e-mail ao Guardian ter participado de qualquer conspiração e chamou o veredicto de “injusto”.

 

REAÇÕES POLÍTICAS


O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, afirmou que o Reform UK agora enfrenta seu momento mais crítico.


— Um traidor estava no topo do Reform UK, auxiliando um adversário estrangeiro. Farage e seu partido representam um risco à segurança nacional.

 

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O caso seguirá em investigação, mas a polícia considera improvável que Voloshyn seja extraditado enquanto permanecer em Moscou. 

 

Fonte: O Globo

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