Atleta do Rukh Lviv, Talles Brener está emprestado ao Kashima Antlers
Em fevereiro de 2022, o atacante brasileiro Talles Brener completou com a esposa a caminhada mais perigosa da vida deles. A pé, os dois cruzaram a fronteira da Ucrânia, onde Talles jogava, com a Hungria para fugir da guerra contra a Rússia. Três anos depois, ainda ligado a um clube ucraniano, Talles pode retornar ao país em meio à escalada mais violenta do conflito até aqui.
Revelado pelo Fluminense, Talles, de 27 anos, tem contrato com o Rukh Lviv, da primeira divisão da Ucrânia, até 2027. Após passar duas temporadas jogando no país com a guerra em andamento, ele foi emprestado ao Kashima Antlers, do Japão, em 2024. O período no time oriental se encerra no fim deste ano, e ele pode retornar com a família para a Ucrânia caso o Kashima não exerça a opção de compra ou não apareça outra proposta.
"Estou aguardando. A questão da guerra é complicada, porque a gente pensa em tudo. Eu tenho um filho pequeno, esposa e penso em viver o mais tranquilo possível", disse Talles em entrevista ao ge.
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— Se a guerra terminasse, seria ótimo voltar, mas como tem a guerra, a gente pensa muito em outras possibilidades. Mas como tem o contrato, vai depender muito se irei cumprir e se irei voltar. O clube é muito bom, sempre me recebeu de portas abertas, sempre fui bem tratado na cidade também — acrescentou.
A liga da Ucrânia continua em disputa mesmo em meio à guerra. Clubes da região leste do país, mais afetada pelo conflito, se deslocaram para as cidades mais a oeste, como Lviv, onde fica o clube de Talles. O Shakhtar Donetsk, por exemplo, usa as dependências do Rukh para treinamentos. Os times ucranianos só mandam os jogos fora do país em competições europeias, como a Champions League.
Após fugir da guerra a pé em 2022, Talles passou um mês na Hungria e mais três na Finlândia. Quando a liga da Ucrânia foi retomada, ele recebeu uma ligação do Rukh, optou por retornar ao país para cumprir o contrato e atuou em Lviv por duas temporadas.
Nesse período, o brasileiro conta que a vida seguiu de forma relativamente tranquila, mas que precisou se abrigar em bunkers várias vezes, até durante uma partida.
— Houve um jogo no Dia da Independência da Ucrânia, então teve muita sirene. Toda hora tinha que parar a partida, ir para o bunker, aí recomeçava o jogo, parava, ia para o bunker. Foi uma loucura — lembrou.
"Já ouvi algumas explosões. Alguns mísseis já ouvi, mas ataque mesmo não, só o barulho", relatou.
Agora do outro lado do mundo, no Japão, Talles segue em contato com os companheiros do Rukh Lviv para saber como está a situação no clube e no dia a dia na Ucrânia. Enquanto isso, se acostuma também com as novas preocupações da vida no Extremo Oriente.
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— Tem um grupo que eu fico acompanhando as notícias, para saber como está o país e a cidade. Eu falo com alguns companheiros também que estão lá, eles falam que continua na mesma situação, da guerra e das sirenes. Aqui no Japão também às vezes rola algum terremoto, mas as casas são bem preparadas. O preocupante é o tsunami, que pode ter aqui no país também. Para ficar tranquilo mesmo, é só no Brasil — disse.
Fonte: GE