Um juiz federal de Nova York condenou Hernández a 45 anos de prisão em junho de 2024, dois anos após sua extradição
O ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández voltou ao país neste domingo (26) após ser indultado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Condenado a 45 anos de prisão por tráfico internacional de drogas em junho de 2024, Hernández agradeceu o perdão presidencial e afirmou ter sido vítima de uma "caça às bruxas".
Durante um discurso para apoiadores em Comayagua, a cerca de 60 quilômetros de Tegucigalpa, o ex-presidente disse que Trump revisou seu caso e concluiu que houve uma injustiça.
"O presidente mais informado do mundo disse: 'eu revisei, minha equipe e eu o revisamos detalhadamente e aqui foi cometida uma tremenda injustiça, é uma caça às bruxas, é o uso da justiça como arma política'", afirmou.
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Hernández havia sido condenado por um tribunal federal de Nova York por ajudar a enviar centenas de toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos, em parceria com organizações criminosas, incluindo o grupo liderado por Joaquín "El Chapo" Guzmán.
Apesar do indulto concedido por Trump, o ex-presidente ainda terá de responder à Justiça de Honduras. Ele é acusado de desviar cerca de US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 10 milhões) em recursos públicos para financiar sua primeira campanha presidencial.
Ao desembarcar no país, Hernández afirmou que pretende enfrentar as acusações e recuperar os 131 bens confiscados durante o processo de extradição.
"O menos que vou fazer é abaixar a cabeça, quando a verdade me assiste", declarou.
O ex-presidente também deixou em aberto a possibilidade de voltar à política, afirmando que poderá disputar cargos novamente caso considere necessário.
A volta de Hernández provocou forte reação da oposição. A ex-candidata presidencial Rixi Moncada afirmou que ele deveria responder por seus crimes, enquanto a deputada Alia Kafati destacou que o indulto não significa inocência e classificou o retorno como "um dia triste" para Honduras.
Analistas também avaliam que o caso colocará à prova a independência do Judiciário hondurenho, já que Hernández deverá comparecer à Justiça no próximo dia 3 de agosto para responder às acusações de corrupção.
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A trajetória política do ex-presidente foi marcada por denúncias de corrupção,acusações de fraude eleitoral e pelo fortalecimento do narcotráfico no país. Durante o julgamento nos Estados Unidos, promotores afirmaram que ele transformou Honduras em um "narcoestado" e em uma rota estratégica para o envio de cocaína ao território americano.