Militar investigado por tentativa de homicídio deixou a corporação após o crime que chocou o Distrito Federal; ele responde ao processo em liberdade sob medidas cautelares.
O Exército Brasileiro oficializou nesta sexta-feira (24) a expulsão do ex-sargento Guilherme da Silva Oliveira, de 22 anos, investigado por atropelar e arrastar uma jovem de 20 anos enquanto ela atravessava uma faixa de pedestres no Riacho Fundo, no Distrito Federal. O caso, registrado em abril deste ano, causou grande repercussão pela violência da ação, registrada por testemunhas.
Em nota, o Comando Militar do Planalto informou que o militar foi licenciado das fileiras da instituição e, por isso, não integra mais o efetivo do Exército Brasileiro.
Apesar da expulsão, Guilherme responde ao processo em liberdade. Ele estava preso desde 27 de abril, mas teve a prisão preventiva revogada pela 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Os desembargadores entenderam que, embora o caso seja de extrema gravidade, não havia mais elementos que justificassem a manutenção da prisão cautelar.
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A decisão levou em consideração o fato de o acusado ser réu primário, possuir residência fixa, trabalho lícito e ter se apresentado espontaneamente à polícia dois dias após o atropelamento, entregando o veículo utilizado no crime para perícia.
Como condição para permanecer em liberdade, o ex-sargento deverá cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas recolhimento domiciliar no período noturno, proibição de frequentar bares e consumir bebidas alcoólicas, além da obrigação de prestar assistência financeira provisória à vítima para custear as despesas médicas decorrentes do tratamento.
RELEMBRE O CASO
O atropelamento aconteceu no dia 25 de abril. Maria Clara atravessava a faixa de pedestres ao lado de uma amiga quando foi surpreendida pelo carro conduzido por Guilherme, que trafegava de marcha à ré em alta velocidade. A jovem foi atingida, arrastada pelo veículo e ficou gravemente ferida, enquanto testemunhas gritavam tentando alertar o motorista.
Mesmo após o impacto, o condutor não parou para prestar socorro e deixou o local acompanhado de outras quatro pessoas que estavam no automóvel.
Maria Clara foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao hospital em estado grave. Ela passou por cirurgia, permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e recebeu alta após cerca de duas semanas de internação.
Durante depoimento à Polícia Civil, Guilherme alegou que fugiu porque temia ser agredido por pessoas que estavam no local.
As investigações apontaram indícios de que o militar assumiu o risco de provocar a morte da vítima. Por esse motivo, o Ministério Público o denunciou por tentativa de homicídio com dolo eventual.
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Paralelamente ao processo criminal, o Exército instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do então sargento, que culminou na sua exclusão definitiva da corporação.