Notificações, redes sociais e consumo contínuo de notícias podem provocar sobrecarga informacional
A conexão permanente transformou a maneira como as pessoas acompanham o mundo. Celulares, redes sociais, aplicativos de mensagens e sites de notícias permitem acesso quase instantâneo a acontecimentos de diferentes lugares. Ao mesmo tempo, o fluxo contínuo de conteúdos criou um desafio cada vez mais presente: lidar com o excesso de informação.
Acompanhar notícias em tempo real pode ser importante, especialmente em situações de emergência ou acontecimentos relevantes. Porém, o consumo constante de atualizações, principalmente sobre temas negativos, pode aumentar sentimentos de preocupação, medo e ansiedade.
O cenário ficou ainda mais evidente durante a pandemia de Covid-19. Informações sobre a doença, números de casos e mortes, mudanças nas recomendações e notícias sobre medidas de controle passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. A circulação de informações falsas e contraditórias também dificultou a identificação de conteúdos confiáveis.
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Nesse contexto, ganhou destaque o termo “infodemia”, utilizado para descrever um volume excessivo de informações sobre determinado assunto, que pode incluir conteúdos verdadeiros, imprecisos e falsos. O desafio não está apenas em ter acesso às informações, mas em conseguir processar esse volume e identificar o que realmente merece atenção.
Em momentos de incerteza, procurar notícias é uma reação natural. Saber o que está acontecendo pode transmitir uma sensação de controle. O problema surge quando essa busca se transforma em um comportamento constante.
Atualizar páginas repetidamente, conferir notificações a todo momento e procurar novas informações sobre o mesmo assunto podem manter a pessoa em estado permanente de alerta.
Uma revisão sistemática publicada no Journal of Affective Disorders, que reuniu estudos realizados durante a pandemia de Covid-19, encontrou associação entre maior exposição a notícias sobre a crise sanitária e resultados negativos relacionados à saúde mental. A análise também apontou a influência das redes sociais nesse contexto.
Isso não significa que acompanhar notícias, por si só, provoque um transtorno mental. A relação depende de diferentes fatores, incluindo características individuais, contexto de vida e histórico de cada pessoa. Os resultados, porém, indicam que a intensidade e a forma de consumo das informações podem influenciar o bem-estar psicológico.
A exposição frequente a acontecimentos negativos também pode contribuir para a sensação de sobrecarga. Guerras, crises econômicas, violência, desastres ambientais e problemas de saúde estão entre os temas que recebem ampla cobertura jornalística e podem ocupar grande parte do fluxo diário de informações.
Sem momentos de pausa, a pessoa pode permanecer exposta continuamente a estímulos que exigem atenção e processamento.
As redes sociais modificaram a forma como as notícias chegam ao público. Antes, era comum reservar determinados horários para assistir ao telejornal, ler jornais ou acessar portais. Atualmente, a mesma informação pode aparecer várias vezes ao longo do dia por meio de vídeos, publicações, mensagens e notificações.
Além da notícia original, o usuário encontra opiniões, comentários e discussões sobre o acontecimento. Um único fato pode gerar centenas de conteúdos diferentes, muitas vezes com interpretações conflitantes.
Uma pesquisa publicada em 2024 na revista Heliyon analisou a relação entre sobrecarga nas redes sociais, fadiga e ansiedade. O estudo indicou que o excesso de informações e interações no ambiente digital pode contribuir para a fadiga relacionada ao uso das redes e apresentar reflexos em indicadores associados à ansiedade.
A sobrecarga, portanto, não está relacionada apenas ao tempo gasto diante das telas. A quantidade de estímulos recebidos também pode fazer diferença.
Mensagens, vídeos, notificações e notícias chegam continuamente, enquanto novas discussões são iniciadas a todo momento. Essa dinâmica pode criar a sensação de que sempre existe algo novo que precisa ser acompanhado.
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Por isso, estabelecer momentos de pausa e selecionar fontes confiáveis pode ajudar a tornar o consumo de informação mais equilibrado, sem a necessidade de abandonar completamente as notícias ou as redes sociais.