Mostra gratuita será aberta nesta quarta-feira (30), no Museu da Cidade, e reúne relatos, imagens e experiências sobre os impactos da Covid-19 no Brasil
A memória dos anos mais críticos da pandemia de Covid-19 será resgatada em Manaus a partir desta quarta-feira (30). A exposição “A Infinita Memória da Pandemia: a história da Covid-19 por todos nós, brasileiros” será aberta ao público às 17h30, no Museu da Cidade de Manaus, no Centro Histórico da capital amazonense.
Com entrada gratuita, a mostra reúne dez estações imersivas que transformam registros digitais em uma experiência sensorial e coletiva sobre a pandemia e os impactos provocados pela crise sanitária na vida dos brasileiros. Entre os episódios retratados está a crise de oxigênio enfrentada por Manaus em janeiro de 2021, um dos momentos mais graves da pandemia no país.
A temporada na capital amazonense é realizada pelo Ministério da Saúde, por meio do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), em parceria com a Prefeitura de Manaus, por meio da Manauscult e da Secretaria Municipal de Saúde.
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A iniciativa busca aproximar cultura e saúde e promover ações de mobilização, formação e participação da população local em torno das experiências vividas durante a pandemia.
A exposição foi desenvolvida a partir do acervo do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, projeto construído de maneira colaborativa para reunir registros de pessoas de diferentes partes do país. A proposta é preservar histórias e homenagear aqueles que foram afetados pela doença, além de estimular reflexões sobre ciência, saúde coletiva, comunicação e memória social.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de preservar as diferentes experiências vividas durante o período.
“A pandemia foi vivida de maneiras muito diferentes por cada pessoa, família e comunidade. Ao reunir essas histórias e apresentá-las em diferentes cidades brasileiras, incluindo Manaus, a exposição contribui para preservar não apenas os acontecimentos, mas também os sentimentos, as perdas, os gestos de solidariedade e os aprendizados daquele período. É uma forma de manter essa memória viva e levar essas experiências para a construção do futuro”, afirmou.
Com uma proposta multimídia e interativa, a mostra reúne relatos pessoais, fotografias, vídeos, cartazes, diários, mensagens e testemunhos de brasileiros de diferentes regiões e realidades.
O percurso aborda temas que marcaram o período, como o isolamento social, o luto, os avanços científicos, a disseminação de desinformação, os gestos de solidariedade e a construção da memória coletiva.
A exposição foi concebida em formato modular e itinerante e já passou por Brasília e São Paulo, onde recebeu mais de 20 mil visitantes. Depois da temporada em Manaus, a mostra seguirá para outras capitais brasileiras até chegar ao Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro.
A pandemia de Covid-19 foi uma das maiores emergências sanitárias da história recente do Brasil. O primeiro caso no país foi confirmado em fevereiro de 2020 e, nos anos seguintes, o sistema de saúde enfrentou sucessivas ondas de transmissão, aumento da demanda hospitalar, falta de insumos e situações de colapso em diferentes regiões.
Em Manaus, um dos episódios mais graves ocorreu em janeiro de 2021, quando a capital amazonense enfrentou uma crise de abastecimento de oxigênio hospitalar em meio ao aumento das internações. O período deixou marcas profundas na população e se tornou um dos principais episódios relacionados à pandemia no país.
Até 2023, o Brasil havia registrado mais de 38 milhões de casos e mais de 700 mil mortes por Covid-19.
O enfrentamento da pandemia também foi marcado por divergências entre governos e diferentes níveis da administração pública, além de debates sobre medidas de distanciamento, circulação de informações, aquisição de vacinas e estratégias de combate à doença. Parte dessas questões foi analisada em estudos científicos e investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, realizada pelo Senado em 2021.
Durante a crise sanitária, o Ministério da Saúde atuou na vigilância epidemiológica, ampliação da capacidade de atendimento e distribuição de insumos, em conjunto com estados e municípios. A vacinação, iniciada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em janeiro de 2021, contribuiu para reduzir hospitalizações e mortes, especialmente nos períodos seguintes à ampliação da cobertura vacinal.
Em Manaus, a programação da exposição terá ainda um forte componente educativo. As atividades foram planejadas para estimular discussões sobre memória, cultura, ciência e saúde pública, com mediação cultural voltada a estudantes, professores, profissionais da saúde, grupos organizados e visitantes.
A proposta é transformar o espaço em um ambiente de escuta e reflexão, permitindo que diferentes públicos compartilhem experiências e conheçam registros relacionados à pandemia.
A articulação entre as redes municipais de cultura, educação e saúde também deverá ampliar o acesso à exposição e aproximar os conteúdos apresentados das experiências vividas pela população de Manaus.
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Como parte da programação de abertura, uma projeção mapeada será realizada na fachada do Museu da Cidade de Manaus. A intervenção audiovisual será integrada à arquitetura do prédio histórico e deverá marcar o início da temporada da exposição na capital amazonense.