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Facções brasileiras buscam táticas da guerra da Ucrânia para ampliar poder de ataque com drones, apontam investigações
Foto: Divulgação

Autoridades monitoram possível intercâmbio entre criminosos e o conflito no Leste Europeu após registros de ataques com drones e explosivos em comunidades do Rio de Janeiro.

O avanço do uso de drones por organizações criminosas no Rio de Janeiro tem acendido um alerta nas forças de segurança. Investigações apontam que integrantes de facções estariam buscando treinamento militar adquirido na guerra da Ucrânia para aplicar novas estratégias de combate e ataques no Brasil, elevando o nível tecnológico das ações criminosas.

 

A preocupação ganhou força após a divulgação de um vídeo que mostra um drone lançando um artefato explosivo em uma comunidade da capital fluminense. O ataque ocorreu na região de Dois Irmãos, área marcada pela disputa entre milicianos e traficantes do Comando Vermelho (CV), e deixou uma pessoa ferida por estilhaços.

 

Embora equipes da Polícia Militar tenham ido ao local após denúncias, nenhum material foi encontrado durante a operação. Ainda assim, o episódio reforçou o monitoramento das autoridades sobre a utilização de aeronaves não tripuladas por facções criminosas.

 

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Segundo informações levantadas pelos órgãos de inteligência, integrantes do Comando Vermelho teriam sido enviados à Ucrânia para receber treinamento tático. A suspeita é de que criminosos com antecedentes limpos tenham ingressado como voluntários nas forças ucranianas durante o conflito para adquirir conhecimentos militares e, posteriormente, repassá-los à organização criminosa no Brasil.

 

De acordo com as investigações, um dos integrantes da facção retornou ao país após ser desligado das forças ucranianas por uso de drogas e participou de treinamentos no Complexo do Alemão, onde foram realizados testes com drones agrícolas de grande porte, equipamentos capazes de transportar cargas pesadas, incluindo armamentos e explosivos.

 

Especialistas em segurança destacam, porém, que o uso de drones por grupos criminosos não está restrito à influência da guerra na Ucrânia. Segundo analistas, organizações criminosas e grupos armados em outras regiões do mundo, especialmente na África e no Oriente Médio, também utilizam tecnologias semelhantes, tornando esse tipo de ameaça cada vez mais global.

 

Diante desse cenário, a Polícia Civil do Rio de Janeiro criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), responsável por monitorar drones utilizados por criminosos e desenvolver estratégias para combater esse tipo de ação.

 

Nos últimos meses, episódios envolvendo drones armados já foram registrados no estado. Em operações policiais realizadas no Complexo da Penha e na comunidade Vila Sapê, criminosos utilizaram equipamentos para lançar explosivos contra agentes de segurança, demonstrando uma mudança nas táticas adotadas pelas facções.

 

As autoridades também investigam a existência de bloqueadores de sinal e outros equipamentos tecnológicos em poder dos criminosos. Em operações anteriores, dispositivos destinados a interferir na comunicação de drones foram apreendidos na zona norte do Rio de Janeiro.

 

No campo diplomático, fontes ligadas ao governo ucraniano afirmam que a cooperação entre Brasil e Ucrânia ainda é limitada no compartilhamento de informações sobre suspeitos ligados ao crime organizado que viajam para o país europeu. Segundo essas fontes, muitos casos chegam ao conhecimento das autoridades apenas por meio da imprensa.

 

O Ministério das Relações Exteriores informou apenas que mantém alerta consular orientando brasileiros sobre os riscos de participar de conflitos armados no exterior. Já a Polícia Federal não comentou se adota medidas específicas para impedir a saída de integrantes de organizações criminosas rumo à zona de guerra.

 

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Enquanto as investigações avançam, especialistas alertam que a combinação entre experiência militar adquirida em conflitos internacionais e o acesso a tecnologias de combate representa um novo desafio para as forças de segurança brasileiras, que já trabalham para adaptar suas estratégias diante da crescente sofisticação das facções criminosas. 

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