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Faculdade comprou 105 corpos do Hospital Colônia de Barbacena, antigo maior manicômio do Brasil
Foto: Reprodução

Segundo o MPF, não houve acordo durante as negociações com a Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, o que levou ao ajuizamento da ação. Estado de Minas e União também foram processados

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra uma faculdade de Minas Gerais por ter comprado pelo menos 105 corpos de internos do antigo Hospital Colônia de Barbacena para atividades de ensino médico. A comercialização teria ocorrido entre 1971 e 1975, período em que pacientes da instituição psiquiátrica eram submetidos a graves violações de direitos humanos.

 

Segundo documentos reunidos durante a investigação, cada corpo era vendido por 50 cruzeiros novos, valor que incluía despesas de conservação e transporte. Os cadáveres eram utilizados em aulas de dissecação e outras atividades acadêmicas da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

 

Na ação, o MPF pede R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos e mais R$ 1,1 milhão para financiar pesquisas acadêmicas independentes sobre o episódio. O órgão também cobra medidas de reparação, como pedido formal de desculpas, cerimônias públicas, preservação de documentos históricos e criação de um memorial em Belo Horizonte.

 

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O Hospital Colônia de Barbacena ficou conhecido pelas condições desumanas enfrentadas pelos pacientes. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas tenham morrido no local ao longo do século 20. A investigação do MPF aponta que, além das mortes, os corpos de internos também foram destinados a instituições de ensino, em uma prática que atingiu a dignidade das vítimas mesmo depois da morte.

 

 

Antigo Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais  — Foto: Centro Cultural do Ministério da Saúde/Divulgação

Fotos: Centro Cultural do Ministério da Saúde/

Divulgação

 

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O processo também pede que temas como violência asilar, direitos humanos e bioética sejam incluídos nos currículos da faculdade e que o Ministério da Educação estabeleça regras nacionais para fiscalizar a origem e o uso de cadáveres em instituições de ensino. Outras universidades, como UFMG e UFJF, já reconheceram o recebimento de corpos do Hospital Colônia e adotaram medidas de reparação. 

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