A falta de integração entre os órgãos que atendem mulheres vítimas de violência pode dificultar a identificação de situações de risco e a adoção de medidas para evitar feminicídios. Especialistas fizeram o alerta durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e defenderam uma atuação conjunta entre polícia, Justiça, saúde, assistência social e outros serviços.
Segundo a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, cada instituição costuma registrar apenas parte do histórico de violência. Com os dados separados, o Estado pode deixar de enxergar a trajetória completa de uma vítima, incluindo ameaças, agressões anteriores e possíveis descumprimentos de medidas protetivas.
Outro problema apontado é a falta de serviços especializados. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 72,9% dos municípios brasileiros com menos de 100 mil habitantes não possuem nenhum serviço especializado de atendimento à mulher. Para especialistas, essa ausência pode dificultar o acesso das vítimas à proteção, especialmente em cidades do interior.
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Os registros de feminicídio aumentaram 4,7% em 2025, na comparação com 2024, enquanto os homicídios dolosos tiveram redução. Especialistas também destacam a subnotificação da violência doméstica, já que muitas mulheres enfrentam medo de represálias, dependência econômica, falta de informação e descrença nas instituições antes de procurar ajuda.
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Outro dado chama atenção: mais de 621 mil medidas protetivas de urgência foram concedidas em 2025, mas cerca de 135 mil descumprimentos também foram registrados. Para os especialistas, melhorar a fiscalização dessas medidas e integrar as informações entre os órgãos pode ajudar a identificar situações de maior risco e ampliar a capacidade de prevenção.